Antonio Britto afirma que a Nova República chega ao fim em três semanas

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Ex-governador Antonio Britto analisa o futuro político do Brasil e o fim da Nova República.

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto, acredita que a eleição de 2026 representará o término de um ciclo político que se iniciou com a redemocratização do país, independentemente de quem vença. Durante sua participação na edição 98 da Coonline, um grupo de debates formado por jornalistas veteranos, Britto discutiu os resultados do primeiro turno, o favoritismo de Flávio Bolsonaro e os desafios enfrentados por Luiz Inácio Lula da Silva para reverter a diferença de votos.

Segundo Britto, a performance de Bolsonaro foi impulsionada por uma movimentação significativa de eleitores nos últimos dias da campanha, que se deu mais pela rejeição ao PT do que por uma adesão efetiva ao candidato. Ele observou que Lula falhou em transmitir uma mensagem de esperança e futuro, afirmando: “Eu não acho que o Flávio ganhou o primeiro turno. Eu acho que o Lula perdeu o primeiro turno.”

O ex-governador também relacionou o resultado das eleições à condução do atual governo, enfatizando que “saudade não dá voto” e que o que realmente atrai o eleitor é a esperança. Britto argumentou que Lula se distanciou do eleitorado independente que foi crucial para sua vitória anterior e que seu governo se mostrou “cansado” e excessivamente focado no passado.

Apesar da vantagem de Bolsonaro, Britto acredita que o segundo turno ainda está em aberto. Ele destacou que os debates podem revelar fragilidades no candidato e que Lula precisa mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas. “Eu acho que hoje o Flávio é obviamente favorito, mas acho que o Lula tende, no mínimo, a diminuir a diferença”, projetou.

Ao discutir o fim da Nova República, Britto mencionou o crescimento das redes sociais, a ascensão do conservadorismo e o desgaste das instituições e das expectativas que surgiram durante a redemocratização. Ele observou que, embora os valores democráticos ainda sejam majoritários, será necessário reestruturá-los após a eleição. “Essas coisas vão ter que ser revisadas com Flávio ou com Lula ganhando o segundo turno, porque elas acabaram de acabar”, avaliou.

A conversa também abordou temas relacionados ao Jornalismo. Britto defendeu que a prática profissional deve incluir formação em ética e responsabilidade, embora tenha expressado ceticismo sobre a necessidade de uma graduação específica. Sobre a inteligência artificial, ele considerou que a tecnologia será integrada a algumas funções nas redações, mas ressaltou que ainda não está claro quais aplicações poderão ser adotadas sem comprometer a qualidade do trabalho jornalístico.

Assista ao episódio completo:

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