Apreensão de arma de Bolsonaro diminui possibilidade de prorrogação da prisão domiciliar por Moraes
A apreensão de arma registrada em nome de Jair Bolsonaro pode impactar sua prisão domiciliar.
A apreensão de uma arma ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma blitz em Brasília levanta questões sobre a possibilidade de prorrogação de sua prisão domiciliar, que expira no dia 25 deste mês.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, vinha considerando renovar a prisão domiciliar por mais 90 dias, uma vez que não havia indícios de descumprimento das condições estabelecidas. No entanto, a situação atual pode mudar essa perspectiva.
A arma foi encontrada com Estácio Leite da Silva Filho, segurança de Bolsonaro, que afirmou que a levava para conserto. Moraes deu um prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente se explique sobre o ocorrido, questionando a necessidade de reparo no armamento próximo ao fim do período de prisão domiciliar.
O ministro expressou preocupação com possíveis descumprimentos de ordens judiciais, já que procedimentos de revista são obrigatórios para veículos que saem da residência de Bolsonaro. A arma foi localizada a 33 quilômetros de distância do local, o que acende um alerta sobre a segurança e o cumprimento das regras.
A Polícia Militar informou que realiza vistorias em veículos que saem da casa de Bolsonaro, mas os carros dos seguranças não são submetidos a essas inspeções, pois ficam estacionados em via pública. Essa justificativa pode não ser suficiente para acalmar as preocupações de Moraes.
O histórico de descumprimentos de medidas cautelares por parte de Bolsonaro, como suas aparições em redes sociais e tentativas de remover a tornozeleira eletrônica, contribui para o ceticismo do ministro em relação à situação atual.
Durante a abordagem, a atitude do segurança também levantou suspeitas. O policial militar que fez a abordagem notou que o motorista fechou o vidro de forma abrupta ao perceber a arma no carro, o que pode indicar uma tentativa de ocultação.
Estácio inicialmente alegou que a arma pertencia a sua “funcional”, mas posteriormente admitiu que era de Bolsonaro, o que levanta mais questões sobre a transparência e a veracidade das informações fornecidas.
Auxiliares de Moraes indicam que a prorrogação da prisão domiciliar poderia ser uma forma de reconhecer o bom comportamento de Bolsonaro desde o início da medida, que foi concedida em razão de problemas de saúde.
Nos últimos meses, o ex-presidente não apresentou complicações significativas, exceto por uma cirurgia no ombro, o que poderia justificar uma nova avaliação de sua situação. Contudo, se a defesa não apresentar uma explicação convincente sobre a apreensão da arma, Bolsonaro pode enfrentar a volta ao regime fechado.
O último relatório médico enviado ao STF indica que Bolsonaro continua a ter crises de soluço e apresenta uma condição cardiológica estável, mas com queixas de fadiga. Exames adicionais foram recomendados para investigar possíveis problemas de saúde, que também estão sendo considerados na análise da situação do ex-presidente.
