Asteroide provocou calor 17 vezes superior ao limite mortal no fim dos dinossauros
Nova pesquisa revela que extinção dos dinossauros pode ter sido causada por tempestades de fogo globais.
A narrativa científica tradicional sobre a extinção dos dinossauros, ocorrida há 66 milhões de anos, está sendo desafiada por novas descobertas. Anteriormente, acreditava-se que um inverno rigoroso, resultante da queda de um asteroide, foi o principal responsável pelo evento. No entanto, um estudo recente sugere que o impacto provocou tempestades de fogo globais que poderiam ter eliminado os grandes répteis em questão de horas.
O asteroide, com cerca de 10 quilômetros de largura, colidiu com a Península de Yucatán, no México, formando a cratera de Chicxulub. O impacto gerou uma enorme quantidade de vapor de rocha, que, ao se condensar, formou esferulitos que foram lançados na atmosfera. Esses materiais, ao reentrar na atmosfera a altas velocidades, criaram uma série de reações que resultaram em um calor intenso.
Modelos anteriores sugeriam que a radiação térmica gerada pelo impacto seria letal para animais desprotegidos, mas não suficiente para causar incêndios florestais em larga escala. Contudo, a nova análise indica que esses modelos ignoraram uma camada significativa de poeira fina de silicato, que se formou a partir do vapor de rocha que não se condensou imediatamente. A presença dessa poeira foi confirmada em sítios fósseis nos Estados Unidos, como em Tanis, na Dakota do Norte.
Os pesquisadores apontam que essa poeira atuou como um cobertor térmico, retendo o calor e aumentando a temperatura na superfície terrestre em até 3,5 vezes mais do que se previa anteriormente. A pesquisa sugere que os animais expostos a essa tempestade térmica enfrentaram uma intensidade de calor cerca de 17 vezes superior ao limite letal para os seres humanos.
Brandon Johnson, autor principal do estudo, destaca que a combinação de calor extremo e a poeira suspensa permitiram que a radiação térmica causasse incêndios devastadores, mesmo que não fosse suficiente para queimar diretamente troncos de árvores espessos.
Animais que conseguiram se refugiar debaixo da terra ou na água tiveram uma chance maior de sobreviver ao calor intenso. Entretanto, a poeira que incinerou a superfície também bloqueou a luz solar por anos, contribuindo para o que se conhece como “inverno de impacto”, um fator que tradicionalmente é associado à extinção em massa.
Embora a pesquisa apresente um modelo consistente, ainda faltam evidências diretas de incêndios florestais causados pela poeira em outras partes do mundo, sendo que as evidências conhecidas até agora estão concentradas na América do Norte. Especialistas sugerem que, no futuro, pode haver descobertas que confirmem a ocorrência de queimadas em escala global.
