Aumento da desinformação sobre PL da Misoginia é apontado por estudo nas redes sociais
Desinformação se intensifica em torno do Projeto de Lei da Misoginia nas redes sociais.
O Projeto de Lei da Misoginia, que visa definir e punir comportamentos misóginos, se tornou alvo de uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais, conforme levantamento recente. A análise revelou a disseminação de narrativas falsas e teorias conspiratórias, muitas vezes geradas por inteligência artificial, com o intuito de deslegitimar a proposta aprovada pelo Senado em março.
Entre março e abril de 2026, foram coletadas mais de 289 mil publicações no X, além de 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads. Esses dados permitiram aos pesquisadores identificar picos de desinformação e padrões de comportamento nas plataformas digitais.
O Projeto de Lei em discussão, que define misoginia como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres, pode incluir a “condição de mulher” na Lei do Racismo, prevendo penas de dois a cinco anos de prisão para práticas misóginas, caso seja aprovado pela Câmara sem alterações.
O principal pico de engajamento da desinformação ocorreu em 25 de março, um dia após a aprovação do PL no Senado, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira. O vídeo associou o PL da Misoginia a trechos de outro projeto, que não fazia parte do texto aprovado, gerando confusão e desinformação entre os usuários.
A publicação alcançou 751 mil visualizações em 24 horas, mas foi posteriormente removida e republicada sem a parte enganosa. O estudo também revelou que uma das narrativas mais comuns era a de que o projeto restringiria a liberdade de expressão e serviria para perseguir opositores políticos.
Outra desinformação recorrente afirmava que questionar uma mulher sobre a TPM poderia resultar em prisão. As publicações mais virais exploraram o medo como um motor de engajamento, distorcendo o verdadeiro propósito do projeto.
Pesquisadores identificaram conteúdos falsos que sugeriam que a proposta levaria a demissões em massa de mulheres ou criminalizaria trechos da Bíblia. Um exemplo notável foi a alegação de que empresários começaram a demitir mulheres para evitar processos relacionados à nova legislação.
Os principais disseminadores de desinformação incluem, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro, o vereador Lucas Pavanato, o comentarista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O relatório também notou um aumento no uso de termos associados à cultura misógina, retratando o projeto como uma ameaça aos homens.
Menções a aplicativos de transporte foram feitas de forma irônica, sugerindo que homens temeriam acusações falsas em interações cotidianas. Os pesquisadores ressaltam que as postagens ignoram um aspecto central do projeto: a misoginia está relacionada a práticas discriminatórias que causam constrangimento, humilhação e medo em razão do gênero.
Concluindo, o estudo enfatiza que ao distorcer o debate, essas postagens ampliam a desinformação e dificultam a compreensão do verdadeiro objetivo da proposta.