Aumento do pedágio coloca em risco a logística da Zona Sul

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Concessão da Rota Portuária do Sul gera preocupações no setor de transporte

A concessão da Rota Portuária do Sul, que compreende trechos das BR-116 e BR-392, tem gerado um intenso debate no setor de transporte do Rio Grande do Sul.

O modelo proposto pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é criticado por diversas entidades, sendo a Fetransul uma das vozes mais ativas nesse questionamento. A entidade aponta falhas significativas, como a exclusão do trecho entre Eldorado do Sul e Camaquã, o que compromete a continuidade logística entre Porto Alegre e o Porto de Rio Grande.

Além disso, a proposta inclui um multiplicador tarifário de 1,5 para caminhões, resultando em pedágios 50% mais altos que a média nacional. Esse aumento não apenas afeta os custos operacionais dos transportadores, mas também poderá refletir nos preços das mercadorias para os consumidores.

O projeto, que prevê investimentos bilionários e a gestão de quase 460 quilômetros ao longo de três décadas, enfrenta críticas quanto à fragmentação da concessão. A insegurança regulatória e a possibilidade de tarifas indefinidas nas futuras licitações criam um cenário preocupante para o setor. As obras já programadas com recursos públicos, como a duplicação da BR-116 e a nova ponte internacional de Jaguarão, foram incluídas no contrato, transferindo os custos para os usuários sem garantias de eficiência.

Dirigentes da Fetransul alertam que o encarecimento do transporte de cargas impactará diretamente o preço final das mercadorias, causando um ônus tanto para consumidores quanto para empresas. Prefeitos e lideranças da Zona Sul também manifestaram insatisfação com a proposta, especialmente com a instalação de pórticos eletrônicos em áreas urbanas, e enfatizam a necessidade de um diálogo mais aberto com a sociedade.

Em resposta a essas preocupações, a Fetransul está mobilizando parlamentares para formar uma frente que pressione pela revisão do modelo. O vice-presidente da entidade, Rudimar Puccinely, afirmou que é inaceitável o aumento de 50% nas tarifas proposto, reiterando que o transporte de cargas não deve ser penalizado.

O sucesso da Rota Portuária do Sul dependerá da capacidade de equilibrar os investimentos necessários com uma justiça tarifária que não comprometa a competitividade do setor. Sem ajustes adequados, o que deveria ser um passo em direção ao desenvolvimento do estado pode se transformar em um obstáculo significativo.

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