Avanço do capital próprio no campo paulista transforma perfil financeiro do produtor, revela ABMRA
Produtores rurais paulistas adotam capital próprio e crédito rural em suas atividades.
Os produtores rurais do estado de São Paulo estão aumentando a utilização de capital próprio e crédito rural para financiar suas atividades, o que revela uma mudança significativa no comportamento financeiro no campo. De acordo com a 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural, o uso de recursos próprios para capital de giro subiu de 78% em 2021 para 84% em 2025.
Além disso, o crédito rural também ganhou importância como fonte de financiamento, passando de 8% para 17% no mesmo período. Esta tendência é visível na aquisição de equipamentos agrícolas, como tratores e colheitadeiras, onde o uso de recursos próprios para investimentos aumentou de 59% em 2021 para 79% em 2025.
A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) destaca que esses dados refletem mudanças na gestão das propriedades e no processo de tomada de decisão dos produtores. Essa nova realidade mostra que os produtores rurais estão mais informados e cautelosos em suas decisões financeiras.
O presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, ressalta que “o produtor rural paulista está mais protagonista e criterioso nas suas decisões, incluindo as financeiras”. Isso demanda das marcas uma comunicação mais alinhada com a realidade do campo, que seja baseada em dados, confiança e entrega de valor.
Mudança na gestão
A pesquisa revela uma maior participação dos produtores na gestão financeira de seus negócios, indicando uma transformação nas relações entre as empresas do setor e o público rural. Com um aumento do capital próprio no financiamento das atividades, nota-se um crescimento da responsabilidade na gestão e na tomada de decisões dentro das propriedades.
Clima lidera preocupações
Questões climáticas também se destacam nas preocupações dos produtores paulistas. A pesquisa indica que 99% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas afetarão a produção, seja devido a secas prolongadas, chuvas intensas ou variações de temperatura.
O clima é a principal preocupação para 68% dos produtores entrevistados, seguido pelos custos de produção, mencionados por 41%, e pela comercialização, citada por 33%.
Barreiras para adoção de tecnologias
Apesar da vontade de adaptação, a pesquisa aponta obstáculos à adoção de tecnologias de manejo. Entre os entrevistados, 28% classificam as barreiras para implementar essas soluções como altas ou muito altas. Os principais obstáculos citados incluem custos elevados, falta de informação, limitações de apoio técnico, acesso restrito a recursos e incertezas quanto aos resultados.
