Bahia enfrenta tensão devido a investigação do Master que acelera campanha eleitoral
Tensões políticas marcam o cortejo do 2 de Julho em Salvador
Durante o cortejo do 2 de Julho em Salvador, a atmosfera foi marcada por protestos e provocações entre grupos de militantes e adversários políticos.
Cartazes com a frase “Jaques do Master” foram espalhados pela cidade, aludindo às ligações do senador Jaques Wagner com o banco de Daniel Vorcaro. Enquanto isso, jingles que criticavam o governador Jerônimo Rodrigues eram tocados em alto volume, e ACM Neto enfrentava vaias da militância petista.
A crise envolvendo o Banco Master intensificou as tensões na corrida eleitoral na Bahia, que se promete acirrada entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, reeditando a disputa de 2022. A expectativa é de que a eleição seja decidida em detalhes.
Jerônimo estava em um momento positivo, apoiado por obras e pela recuperação da popularidade do presidente Lula. Contudo, a recente operação da Polícia Federal que investiga Jaques Wagner por supostos pagamentos irregulares abalou sua base. Wagner nega qualquer irregularidade.
A ação da PF deixou o partido em estado de alerta. Em resposta, o PT iniciou uma estratégia política visando reforçar a unidade e a defesa de Wagner, considerado um pilar do governo baiano há 20 anos.
Recentemente, o PT lançou uma campanha publicitária nas redes sociais destacando a parceria entre Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa. O material, intitulado “Três Irmãos”, apresenta um jingle que remete a uma canção gospel, enfatizando a união do grupo.
A veiculação da campanha foi antecipada, com o intuito de mostrar a coesão do grupo em meio às turbulências políticas. Nos bastidores, a avaliação é de que o impacto da operação da PF dependerá do desenrolar das investigações, e a orientação é evitar uma postura defensiva.
O governador Jerônimo Rodrigues expressou confiança em Wagner, afirmando que o grupo se manterá unido e que Wagner está se preparando para sua defesa. Ele também manteve Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente e enteado de Wagner, no cargo, apesar das investigações.
Enquanto isso, a oposição tem adotado uma postura cautelosa em relação à operação da PF, focando suas críticas na gestão de Jerônimo. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, destacou que o que diz respeito à Justiça deve ser tratado pela Justiça, enfatizando a responsabilidade por atos de improbidade.
A crise do Banco Master também afeta a oposição. Relatórios indicam que uma empresa ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do banco. Neto defendeu que os valores são legais e foram declarados.
A tensão aumentou após declarações de Rui Costa, que mencionou o contrato da empresa de Neto com o banco. A oposição, por sua vez, critica a aliança entre Jerônimo e Wagner, tratando-a como uma “panelinha” que busca perpetuar o poder.
ACM Neto afirmou que é inaceitável que as mesmas pessoas continuem governando a Bahia por 20 anos. Em contrapartida, os petistas defendem que seu grupo é coeso e se atualiza constantemente, desconsiderando a ideia de fadiga material.
O desempenho do PT na Bahia é considerado vital para o presidente Lula, que obteve uma frente expressiva de votos no estado nas últimas eleições.
O senador Jaques Wagner, que resistiu a se afastar de sua liderança no Senado, acabou se afastando após uma reunião com Lula, sendo um dos aliados mais próximos do presidente e negando qualquer envolvimento nas investigações.
