Banco da Amazônia implementa inteligência artificial na gestão de carteira

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Banco da Amazônia adota inteligência artificial para expandir serviços sem aumentar equipe.

Um banco público atuante na Amazônia Legal enfrenta limitações no crescimento de seu quadro de pessoal, mesmo com a crescente demanda por serviços financeiros. Para contornar essa situação, o Banco da Amazônia decidiu investir em inteligência artificial (IA) como uma solução concreta para expandir suas operações sem a necessidade de contratar mais funcionários.

A mais recente inovação dessa estratégia é uma ferramenta de gestão de carteira para gerentes de relacionamento. Desenvolvida em parceria com uma empresa especializada, a solução utiliza diversos agentes de IA que atuam de forma integrada: eles identificam leads, orientam o atendimento, transcrevem ligações, analisam o sentimento dos clientes e finalizam o processo de contratação. Tudo isso é acessível em uma única interface, seja pelo celular ou computador.

A coordenadora de governança de TI do banco, responsável pelo projeto, destaca que a IA está presente em todo o processo. Há agentes que cruzam dados cadastrais e de produtos para gerar leads, enquanto outros analisam o sentimento do cliente durante o atendimento, orientando o gerente em tempo real. Além disso, existem agentes que fecham o ciclo e retroalimentam os dados iniciais com os resultados das interações.

Após um mês de operação, o principal desafio identificado não é de natureza técnica, mas sim a resistência à mudança por parte dos colaboradores. O gerente-executivo do banco, que lidera os projetos da empresa parceira, observa que é difícil alterar a rotina de pessoas que estão acostumadas a um processo tradicional. Contudo, a resistência diminui quando os funcionários percebem os ganhos de eficiência que a nova tecnologia proporciona.

De TI ao negócio

A parceria entre o banco e a empresa de tecnologia começou há cerca de três anos, culminando em um contrato fechado há um ano e oito meses após um desafiador processo licitatório. O banco buscava adquirir uma plataforma, enquanto o mercado estava acostumado a vender licenças de software.

Para contornar essa situação, foi estruturado um contrato dinâmico, que evolui conforme a maturidade da instituição. O foco inicial era a gestão de serviços de TI, mas a expansão para processos de negócios ampliou significativamente o escopo do projeto. Atualmente, além da gestão de carteira, a plataforma já atua na ouvidoria e no suporte operacional, com planos para incluir gestão de compras, gestão de vulnerabilidades, gestão de ativos de TI e, de maneira mais estratégica, o processo de crédito.

Crescer sem contratar

O Banco da Amazônia é a principal instituição financeira de fomento da Amazônia Legal, com rigorosos critérios de análise socioambiental para concessão de crédito. Dada a sua natureza de empresa de economia mista sob controle federal, a expansão do quadro de pessoal é limitada, tornando a eficiência operacional essencial para o crescimento.

A instituição reconhece a necessidade de crescimento e a demanda existente, mas a falta de recursos humanos limita essa expansão. A utilização de IA se apresenta como uma solução viável, permitindo que o banco se projete para o futuro sem a necessidade de aumentar sua equipe.

Os anúncios sobre agentes autônomos apresentados em um evento recente se encaixam nessa estratégia, pois possibilitam a realocação de funcionários de tarefas repetitivas para funções mais qualificadas, resultando em maior eficiência e redução de custos.

Brasil: laboratório ou plateia?

Quando questionado sobre a posição do Brasil na corrida pela inteligência artificial, um dos executivos do banco destacou que o país ainda atua mais como espectador. No entanto, reconhece que a indústria financeira brasileira possui um grande potencial e oportunidades para se destacar na adoção de IA.

Especialistas afirmam que o Brasil pode se tornar um protagonista na aplicação de inteligência artificial, desde que comece a integrar dados que atualmente estão fragmentados. A construção de uma plataforma que permita essa integração é um passo crucial para a utilização efetiva da IA.

Governança como pré-condição

A implementação de agentes de IA em um banco exige uma governança adequada. Sem ela, a liberdade de inovação pode ser comprometida. O banco já iniciou um projeto de governança em paralelo à expansão de suas soluções tecnológicas, reconhecendo que a dinâmica do setor exige agilidade nas ações.

A jornada em direção à implementação da IA é considerada um processo contínuo, sem um prazo definido para conclusão. Todos os envolvidos concordam que a melhoria contínua é a chave para o sucesso a longo prazo.

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