Barreira marítima de 6 bilhões de euros em Veneza pode ser replicada na Espanha
Veneza e Cádis enfrentam desafios semelhantes com a subida do nível do mar.
Nos primeiros meses de 2026, Veneza acionou sua barreira móvel 30 vezes, totalizando 138 ativações nos últimos cinco anos. A obra, que custou € 6 bilhões, é crucial para a proteção da lagoa, mas sua frequência de uso levanta preocupações sobre sua eficácia e impacto ambiental.
Enquanto isso, na baía de Cádis, na Espanha, a erosão costeira avança rapidamente, ameaçando a maior zona úmida salina do país. A ideia de implementar uma barreira semelhante à de Veneza começa a ganhar força entre os moradores e especialistas. A situação crítica da baía, que se deteriora há décadas, exige uma coordenação eficaz entre as autoridades locais para preservar o ecossistema.
A zona úmida de Cádis é sustentada por diques flexíveis, conhecidos como vueltas de afuera, que foram construídos ao longo de séculos. No entanto, a falta de manutenção resultou no abandono de cerca de 80% das salinas, com apenas quatro das 160 salinas artesanais que existiam nos anos 1970 ainda em operação.
O impacto
O avanço do mar é alarmante, com áreas como o sul de Puerto Real experimentando uma progressão de aproximadamente 3 metros por ano, colocando as residências a apenas 200 metros da linha costeira. Com uma população de 94 mil habitantes em San Fernando, a elevação do nível do mar entre 55 e 70 centímetros pode resultar em consequências devastadoras para os moradores.
Diante desse cenário, a discussão sobre a construção de uma barreira se intensifica. Contudo, especialistas alertam que replicar o modelo de Veneza pode ser um erro. A proposta é, na verdade, retornar a soluções mais tradicionais, utilizando tecnologia moderna para revitalizar a engenharia que já existia na região, preservando assim o ecossistema local.
A barreira de Veneza pode proteger áreas urbanas, mas não é uma solução viável para manter a saúde da baía de Cádis. A decisão sobre investir em um projeto sustentável deve ser feita agora, enquanto ainda é financeiramente viável, ou esperar até que a situação se torne inegavelmente crítica e custosa.
