Base governista altera membros da CPI do Crime Organizado e diminui impacto de votação de relatório que foca no STF
Alterações na CPI do Crime Organizado podem influenciar deliberações sobre relatório final.
A composição da CPI do Crime Organizado no Senado foi modificada poucas horas antes da votação do relatório final, em um movimento estratégico que alterou a dinâmica do colegiado. Essa mudança, articulada por governistas, levantou preocupações sobre a viabilidade da deliberação do parecer.
As alterações impactaram diretamente dois senadores que já se mostravam favoráveis ao relatório apresentado, que propõe o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República. Os senadores Sergio Moro e Marcos do Val deixaram a comissão, sendo substituídos por Beto Faro e Teresa Leitão, ambos alinhados à base do governo.
A formalização dessa troca ocorreu no sistema do Senado, no último dia de funcionamento da CPI. Com a nova configuração, os congressistas envolvidos na articulação passaram a vislumbrar uma maioria capaz de rejeitar o relatório no plenário da comissão, que conta com 11 membros titulares. Essa reconfiguração fortaleceu a representação de senadores ligados ao governo.
Nos bastidores, a percepção é de que a mudança criou um ambiente desfavorável ao parecer, que já enfrentava resistência. Além dos novos integrantes, a contagem de votos considerava também a posição de outros membros da comissão, como o presidente Fabiano Contarato, e senadores de partidos como PT, PSD e PSB, o que poderia garantir uma margem suficiente para inviabilizar a deliberação.
O relatório
O relatório final da CPI, que possui mais de 200 páginas, recomenda o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. O documento também sugere a implementação de medidas estruturais para o combate ao crime organizado, incluindo a possibilidade de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.
Embora tenha sido apresentado, o relatório ainda necessita da aprovação da maioria dos integrantes da comissão para se tornar oficial e ser encaminhado a órgãos competentes, como o Ministério Público.
