Besouro invasor ameaça palmeiras e gera preocupação na agricultura brasileira

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Produtores de palmeiras no Brasil estão em alerta devido à ameaça do bicudo-vermelho.

Uma nova ameaça vinda do exterior acende o alerta para a biodiversidade e a produção agrícola no Brasil. O bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro exótico que já devastou plantações em diversos países, pode já estar no território nacional, segundo pesquisadores.

A primeira notificação formal no Brasil ocorreu em 2022, quando um biólogo do Instituto Biológico em São Paulo identificou a presença do inseto em Porto Feliz. A suspeita é que o inseto tenha chegado por meio de palmeiras importadas do Uruguai.

Desde então, o instituto identificou exemplares do bicudo-vermelho em amostras coletadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O Ministério da Agricultura ainda não confirmou oficialmente a presença da praga, mas emitiu um alerta em março, indicando que há “risco de prejuízos expressivos para produtores”.

Por enquanto, o órgão afirma que existem apenas “indícios” da presença do bicudo-vermelho, e a confirmação depende da coleta e análise de amostras por equipes do governo em laboratórios credenciados.

Especialistas alertam que a praga pode ser confundida com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), uma espécie nativa que também ataca palmeiras. A diferença principal está no tamanho e na coloração, sendo que o inseto brasileiro é geralmente maior e de coloração preta.

O Brasil abriga uma das maiores diversidades de palmeiras do mundo, com mais de 260 espécies nativas, como a guariroba e o butiá. Essas plantas são essenciais não apenas para o meio ambiente, mas também sustentam cadeias econômicas relevantes, como coco, açaí e dendê, além de serem amplamente utilizadas no paisagismo.

Como o inseto destrói as palmeiras

O bicudo-vermelho é um besouro que atinge cerca de 5 centímetros de comprimento, apresentando coloração avermelhada com manchas escuras. A fêmea perfura a planta para depositar os ovos, e as larvas se alimentam do interior da palmeira, atingindo o “miolo”, conhecido como palmito.

Como as folhas crescem a partir dessa região central, o ataque impede a formação de novas folhas, levando a planta à morte.

Diferentemente das árvores comuns, as palmeiras possuem um caule mais flexível, chamado estipe, o que facilita a ação das larvas, que se desenvolvem protegidas dentro da planta, dificultando a detecção precoce.

Setor ornamental em alerta

O risco preocupa especialmente o mercado de plantas ornamentais. Em uma fazenda em Jacareí (SP), por exemplo, uma palmeira da espécie Phoenix canariensis — uma das preferidas do bicudo-vermelho — pode levar até 20 anos para atingir o tamanho comercial, com um custo que pode chegar a R$ 24 mil.

O presidente da Sociedade Brasileira de Palmeiras relata o impacto observado em países vizinhos, onde extensas áreas de palmeiras foram devastadas pelo inseto.

Após atingir espécies exóticas, o inseto começou a atacar também palmeiras nativas, como o jerivá e o butiá.

Falta de controle e impasse oficial

O combate à praga enfrenta diversos entraves no Brasil:

  • Entrada irregular: o inseto pode chegar ao país em palmeiras importadas ilegalmente;
  • Ausência de predadores: por ser exótico, não possui inimigos naturais no ecossistema brasileiro;
  • Falta de insumos registrados: produtos utilizados em outros países, como feromônios e inseticidas específicos, ainda não têm registro no Brasil para esse uso.

O Ministério da Agricultura afirma que está avaliando alternativas de controle e que poderá adotar medidas para registro de produtos caso a presença do inseto seja confirmada.

Enquanto isso, produtores e pesquisadores pedem agilidade nas respostas. “Se nada for feito, poderemos enfrentar problemas

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