BNDES lança linha de crédito exclusiva para ferrovias na B3

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Governo brasileiro anuncia nova linha de financiamento para o setor ferroviário visando atrair investimentos internacionais.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá lançar uma linha de financiamento específica para o setor ferroviário, com o anúncio programado para a próxima quinta-feira, na sede da B3, em São Paulo. A iniciativa é parte de uma estratégia do governo para modernizar e expandir a infraestrutura ferroviária do país.

O ministro dos Transportes, George Santoro, revelou que o principal objetivo dessa medida é atrair investidores internacionais, especialmente da Europa e da China. A proposta inclui prazos de financiamento mais longos, o que visa minimizar os riscos para o setor privado e facilitar a realização de projetos de longo prazo.

Durante sua fala, Santoro enfatizou a importância da participação do governo no desenvolvimento ferroviário. Ele destacou que a maioria das ferrovias ao redor do mundo foi construída com a intervenção do Estado, e que o Brasil precisa superar a hesitação em relação a essa abordagem.

MALHA OESTE E CORREDOR BIOCEÂNICO

Além do financiamento, o ministro confirmou que o projeto de retomada da Malha Oeste foi enviado para análise do Tribunal de Contas da União. Esta ferrovia é crucial para a criação de um corredor bioceânico que conectará a malha ferroviária brasileira à rede da Bolívia e ao Porto de Antofagasta, no Chile.

Equipes do governo estão em diálogo com autoridades da Bolívia e da China para coordenar os investimentos necessários em logística. O plano também contempla a integração da Malha Oeste com o Ferroanel de São Paulo, um projeto que visa desviar o fluxo de cargas do centro da capital paulista para os principais portos do Sudeste.

FERROGRÃO

Outra prioridade em análise pelo TCU é a Ferrogrão, que tem como objetivo ligar as áreas produtoras de Mato Grosso aos portos do Pará. O projeto ganhou impulso após a confirmação da constitucionalidade da alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim, permitindo seu avanço.

A proposta foi revisada pelo Ministério dos Transportes, passando por novas audiências públicas e incorporando R$ 1 bilhão em compensações ambientais. Santoro afirmou que a Ferrogrão irá contribuir significativamente para a redução das emissões de carbono, ao substituir parte do transporte rodoviário pela ferrovia.

O ministro destacou que este projeto representa uma das maiores iniciativas de redução de carbono na história do Brasil.

FIOL

No Nordeste, as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) estão prestes a receber investimentos privados. O grupo Mota-Engil, em parceria com uma empresa de capital misto luso-chinês, já solicitou autorização à ANTT para assumir a concessão do trecho 1 da ferrovia, que liga Caetité a Ilhéus, na Bahia.

O Ministério dos Transportes espera assinar o termo aditivo até agosto, possibilitando o início das obras ainda em 2026, com investimentos estimados em R$ 7 bilhões. Santoro expressou otimismo em relação ao andamento do processo na ANTT, prevendo que as obras comecem ainda este ano.

O cronograma contratual prevê a entrega do trecho e do complexo portuário baiano até 2033. Além disso, o trecho que conectará a FIOL 2 à FICO 2 (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) será oferecido ao mercado como parte dos leilões ferroviários planejados pelo governo federal para 2026.

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