Bolsonaristas denunciam suposto financiamento de alas do PL para atacar membros do partido
Bolsonaristas relatam ofertas de pagamentos para ataques a rivais internos no PL.
Perfis de apoiadores de Jair Bolsonaro afirmaram ter recebido propostas financeiras para atacar adversários dentro do próprio Partido Liberal (PL) nas redes sociais. Esses relatos surgiram em transmissões ao vivo e publicações na plataforma X, revelando um cenário de conflitos internos na legenda.
As declarações foram feitas durante uma live no Space Arena, um fórum virtual organizado por um apoiador identificado como Rafael Cavalcanti. O espaço era utilizado para discussões entre direitistas, e as transmissões ocorriam com frequência desde o início da pré-campanha eleitoral.
Na transmissão realizada em 25 de agosto, os participantes discutiram uma lista com 50 perfis que estariam sendo alvo de ataques por facções rivais dentro do PL. A live contou com a participação de 58 usuários e foi pública, permanecendo disponível no perfil de Cavalcanti até a desativação da conta, que ocorreu após o dia 21 de outubro.
Os diálogos entre os apoiadores incluíam orientações para bloquear e silenciar perfis, além de utilizar bots para realizar ataques contra os adversários. Algumas instruções teriam vindo de Eduardo Bolsonaro, conforme afirmado por um dos participantes. A equipe de reportagem tentou contato com o ex-deputado, mas ele alegou desconhecer os acontecimentos.
Os perfis mencionados pertencem a apoiadores ativos e representam diferentes vertentes do bolsonarismo. Durante as discussões, os participantes expressaram preocupações sobre os ataques que estavam ocorrendo dentro da própria direita, destacando que o intuito dos ofensores era desestabilizar alas opostas na coalizão.
O fenômeno do “fogo amigo” entre bolsonaristas foi detectado por aliados do Partido dos Trabalhadores (PT), que monitoravam possíveis ataques a figuras da esquerda nas redes sociais. A veracidade dos perfis envolvidos foi confirmada, e todos os participantes da live e autores de publicações são indivíduos reais, e não contas automatizadas.
Um dos participantes questionou durante a live sobre a veracidade de uma lista que teria sido enviada a ele, oferecendo dinheiro para cancelar perfis rivais. Outro usuário confirmou a existência dessa lista, mas negou ter aceitado realizar os ataques remunerados, afirmando que o valor proposto era de R$ 100 por cada nome.
Além disso, um participante revelou ter recebido pagamentos para realizar campanhas fora das redes sociais para candidatos do PL durante a pré-campanha eleitoral, embora tenha se recusado a citar os nomes envolvidos.
Em publicações posteriores, outros perfis mencionaram as instruções recebidas para os ataques coordenados, com relatos de que Eduardo Bolsonaro teria dado ordens contra apoiadores do deputado federal Nikolas Ferreira. Nikolas já havia sido criticado publicamente por Eduardo, que o acusou de não se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro.
A falta de engajamento na campanha presidencial gerou tensões dentro da direita, com alguns bolsonaristas acusando Nikolas de buscar protagonismo próprio. Em resposta, o deputado e seus aliados defenderam que seu foco era criticar o presidente Lula e promover pautas conservadoras.
Um dos usuários, que se disse incluído na lista de alvos, questionou se a perseguição virtual estava sendo financiada com recursos do partido, dirigindo sua indagação ao PL e mencionando diretamente Flávio Bolsonaro.
A reportagem também tentou contato com a assessoria do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro, mas não obteve resposta. Rafael Cavalcanti, o organizador da Space Arena, também não foi localizado.
Em meio a esse contexto, Flávio Bolsonaro fez sua primeira aparição pública na Flórida, após deixar o Brasil, participando de uma celebração evangélica ao lado de familiares. Sua saída do país ocorreu após uma determinação do Supremo Tribunal Federal.