Brasil atinge 205 data centers para acompanhar avanço da inteligência artificial
Data centers no Brasil: expansão e desafios energéticos e ambientais
Os data centers, essenciais para a economia digital, estão passando por uma rápida expansão no Brasil e no mundo. Essas infraestruturas são fundamentais para o armazenamento, processamento e distribuição de dados, sustentando uma variedade de serviços, desde plataformas de streaming até sistemas públicos.
A crescente demanda por inteligência artificial (IA) tem impulsionado essa expansão. Modelos de IA requerem uma enorme capacidade computacional, demandando milhares de processadores operando simultaneamente, o que resulta em alto consumo de energia e necessidade de sistemas de resfriamento avançados. Isso levou empresas de tecnologia e investidores a intensificarem a busca por novas instalações.
No Brasil, existem atualmente 205 data centers em operação, com a região Sudeste concentrando 128 unidades. A cidade de São Paulo se destaca com 59 instalações, seguida por Campinas e Rio de Janeiro, que possuem 26 e 24, respectivamente.
A distribuição dos data centers não se limita apenas às capitais. Municípios do interior, como Tamboré, em São Paulo, estão se tornando relevantes, superando até capitais como Curitiba e Belo Horizonte em número de instalações. Essa tendência se deve à disponibilidade de terrenos maiores, melhor logística e custos operacionais mais baixos.
Em termos estaduais, São Paulo lidera com 96 unidades, seguido pelo Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Essa concentração reflete a geografia econômica do país, onde a infraestrutura digital se desenvolve em regiões com maior atividade empresarial e demanda consolidada.
O crescimento do setor continua. Atualmente, há pelo menos 10 data centers em construção no Brasil, com a maioria localizada no Sudeste e outros se espalhando pelo Sul e Nordeste. Regiões fora do eixo tradicional estão se tornando competitivas, especialmente quando oferecem energia disponível e incentivos fiscais.
O problema da energia
Os data centers operam ininterruptamente, o que torna a confiabilidade da energia essencial. Para evitar interrupções, as operadoras investem em subestações dedicadas e geradores próprios. A capacidade de um data center, que se refere ao volume de energia consumido, cresce com a demanda computacional, especialmente com a utilização de chips especializados que consomem mais energia.
O Brasil possui uma matriz elétrica relativamente limpa, com base em hidrelétricas e uma crescente participação de fontes solar e eólica, o que pode ser um atrativo para empresas globais. No entanto, a rede elétrica enfrenta desafios regionais, como gargalos e lentidão na expansão da oferta de energia, tornando o acesso à energia um fator crítico na escolha de locais para novos data centers.
Críticas surgem em relação à real contribuição dos data centers para a geração de empregos e ao uso de recursos. Especialistas apontam que, embora esses investimentos possam beneficiar construtoras e fornecedores de energia, o retorno para as comunidades locais pode ser limitado.
Água e impacto ambiental
O resfriamento dos servidores é outro aspecto importante, pois eles geram calor intenso e precisam operar em temperaturas controladas. Historicamente, o resfriamento dependia do uso intensivo de água, o que gerou preocupações ambientais, especialmente em áreas com escassez hídrica.
Contudo, tecnologias mais recentes têm resolvido significativamente esse problema. Sistemas modernos de resfriamento reaproveitam recursos e minimizam o desperdício de água. Apesar disso, o impacto ambiental ainda varia conforme o projeto, e nem todos os data centers adotam as tecnologias mais eficientes, exigindo uma análise cuidadosa sobre o uso do solo e as emissões indiretas associadas a essas operações.
