Brasil busca novos parceiros para reduzir impactos comerciais
Brasil busca novos parceiros comerciais em resposta a tarifas dos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil continuará a procurar novos parceiros comerciais para mitigar os efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto.
Lula enfatizou a determinação do Brasil em não se submeter às imposições comerciais, afirmando que o país é soberano e não se limitará a um único mercado. “Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar”, declarou, ressaltando a busca por respeito nas relações internacionais.
Recentemente, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a imposição de uma tarifa de 25% sobre algumas importações brasileiras, resultado de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. Essa ação foi iniciada no governo anterior e visa o que os EUA consideram práticas desleais no comércio.
Entre as justificativas para essa medida, o USTR alega que o sistema de pagamentos brasileiro, especialmente o Pix, prejudica empresas estadunidenses de serviços de pagamento, como operadoras de cartões de crédito.
Lula revelou que participará da reunião do G7 em junho, um evento que reúne líderes de várias potências mundiais. Essa participação foi uma mudança de planos, motivada pela necessidade de discutir a importância do multilateralismo e a reforma das instituições internacionais, como a ONU.
O presidente destacou a importância de reconstruir a ONU, em vez de destruí-la, para enfrentar os desafios globais atuais e fortalecer a democracia e as instituições internacionais.
Negociação
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) alertou que a decisão tarifária dos Estados Unidos pode impactar 21% das exportações brasileiras para o país. O governo e as empresas afetadas têm até 15 de julho para se manifestar sobre o relatório do USTR, quando os EUA poderão implementar medidas corretivas.
Lula considerou a decisão dos EUA como insensata, especialmente porque havia uma negociação em andamento. Ele recordou que, em maio, havia acordado com o presidente dos Estados Unidos um prazo de 30 dias para resolver questões comerciais, e expressou surpresa com a nova postura americana.
O presidente brasileiro entregou documentos durante a reunião na Casa Branca, que demonstravam a relação comercial favorável entre os dois países, com um superávit comercial dos EUA em relação ao Brasil de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.
“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Lula, expressando sua surpresa com a recente decisão dos EUA.