Brasil critica ação da polícia de Israel ao impedir líderes católicos de realizarem missa em Jerusalém

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Itamaraty condena restrições à liberdade religiosa em Jerusalém.

O Ministério das Relações Exteriores manifestou, no último domingo, sua condenação à decisão da polícia israelense de barrar o acesso de um cardeal à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, durante as celebrações do Domingo de Ramos.

A nota oficial destacou as crescentes restrições impostas por Israel em Jerusalém Oriental, lembrando que o incidente envolvendo o cardeal Pierbattista Pizzaballa não é um caso isolado. Nos dias recentes, outros cristãos também enfrentaram impedimentos para acessar o santuário, enquanto muçulmanos foram limitados em suas visitas à Esplanada das Mesquitas durante o Ramadã.

Para o Itamaraty, essa ação contraria o princípio da liberdade de culto. O texto enfatizou que a presença contínua de Israel no Território Palestino Ocupado é ilegal e que o país não possui soberania sobre essa região, incluindo Jerusalém Oriental.

Reações

A proibição de entrada dos líderes religiosos na Igreja do Santo Sepulcro, em meio a uma escalada militar na região, gerou reações imediatas do Vaticano e de diversos governos europeus, que consideraram o ato uma violação da liberdade religiosa e um “precedente grave”.

Em um comunicado conjunto, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa afirmaram que foi a primeira vez em séculos que líderes da Igreja foram impedidos de celebrar no local. Os religiosos foram interceptados e obrigados a retornar, o que foi classificado como uma falta de respeito à sensibilidade de bilhões de fiéis que, neste período, têm sua atenção voltada para Jerusalém.

A polícia israelense justificou sua decisão, alegando que a configuração da Cidade Velha e dos locais sagrados cria uma área complexa, dificultando o acesso rápido de equipes de resgate em situações de emergência, o que representaria um risco à vida.

A reação internacional foi rápida. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, descreveu o episódio como uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todos que defendem a liberdade religiosa. O chanceler italiano, Antonio Tajani, anunciou a convocação do embaixador de Israel em Roma para discutir a questão.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também se manifestou, condenando a decisão da polícia israelense e expressando seu apoio ao patriarca latino de Jerusalém. Macron destacou que essa decisão se insere em um contexto preocupante de violações do status dos locais sagrados em Jerusalém.

O Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, recebida por uma multidão, dias antes de sua crucificação e, segundo a tradição cristã, sua ressurreição.

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