Brasil estabelece novo protocolo para retomar exportações de carne bovina à União Europeia

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Governo brasileiro estabelece novas diretrizes para exportação de carne bovina à União Europeia.

O governo brasileiro implementou um novo protocolo visando assegurar a presença da carne bovina nacional no mercado europeu. A iniciativa é uma resposta às exigências do bloco, que a partir de setembro, solicitará garantias de que os animais destinados à exportação não tenham recebido antimicrobianos em nenhuma fase de sua vida.

Para atender a essa nova demanda, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria no final de maio, criando o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos. Embora a adesão a esse protocolo seja voluntária, ela se torna essencial para os produtores que desejam continuar exportando para a Europa.

O processo de certificação requer a contratação de uma entidade credenciada, a assinatura de um termo de adesão, a elaboração de planos sanitários e nutricionais, além da comprovação do controle sobre o uso de medicamentos proibidos. Após a análise da documentação e a vistoria na propriedade, a certificadora pode emitir o certificado em até sete dias.

Atualmente, o setor está em fase de adaptação, e, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, ainda não existem propriedades certificadas sob o novo protocolo. A entidade informou que os produtores estão buscando certificadoras para iniciar o processo.

No centro da disputa

Um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é a utilização da monensina, uma substância comumente usada na alimentação de bovinos confinados. Em um confinamento no Gama (DF), cerca de 2 mil animais estão na fase final de engorda, recebendo uma dieta balanceada que inclui farelo de algodão, derivados de milho e soja, além de suplementos minerais.

A monensina, embora controversa, é considerada uma aliada na melhoria da conversão alimentar. Quando utilizada como medicamento, ela controla parasitas que causam diarreia, especialmente em bezerros, e na alimentação, melhora a eficiência digestiva dos animais.

Custo e incerteza

A adequação às novas regras exigirá investimentos significativos por parte dos produtores. A viabilidade econômica desse investimento será avaliada individualmente, considerando se o prêmio pago pelo mercado europeu compensa os custos de adaptação.

Em Bela Vista de Goiás, a produtora Luana Peixoto engorda cerca de 100 animais destinados à exportação, com mercados principais na China e na União Europeia. Embora os animais sejam abatidos no final de agosto, a incerteza sobre a exportação para o bloco europeu persiste.

Para atender às novas exigências, Luana precisará substituir a monensina utilizada na alimentação do rebanho e buscar uma nova certificação, o que representa um desafio adicional para sua operação.

Há alternativas?

Especialistas do setor indicam que existem alternativas à monensina, como óleos essenciais, probióticos e outros aditivos naturais. A indústria de nutrição animal já está se adaptando às novas exigências internacionais, com soluções que possuem custos similares aos aditivos tradicionais.

Contudo, a eficácia dessas alternativas depende da dieta, do manejo e do perfil de cada propriedade, exigindo um planejamento cuidadoso para garantir resultados positivos.

Negociações continuam

A Comissão Europeia informou que as negociações com o Brasil continuam, destacando que as regras sobre o uso de antimicrobianos foram estabelecidas em 2023, dando tempo suficiente para que os países exportadores se adequassem.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) está colaborando com o Ministério da Agricultura para atender às exigências do bloco europeu. Uma missão técnica europeia está prevista para visitar o Brasil no segundo semestre, a fim de avaliar os progressos e finalizar o processo de habilitação.

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