Brasil evita retaliação imediata e avalia respostas aos Estados Unidos sobre tarifaço
Governo busca evitar reações que possam beneficiar adversários políticos na crise tarifária.
O governo brasileiro enfrenta uma nova crise em relação às tarifas impostas pelos Estados Unidos, e a estratégia definida pelo presidente é evitar reações que possam ser exploradas por adversários políticos, como Donald Trump e Flávio Bolsonaro.
Até o momento, não houve anúncios de medidas concretas em resposta às tarifas. Em coletiva recente, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a soberania nacional, mas indicou que a aplicação da lei ocorrerá “no momento adequado”.
A postura cautelosa do governo reflete uma orientação direta do presidente Lula, que busca ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da nova tarifa e manter as negociações em um tom menos radical.
- ➡️ A nova tarifa exclui uma ampla gama de produtos, como petróleo, café e carne bovina, enquanto setores como etanol, máquinas agrícolas e papel são afetados.
Assessores presidenciais alertam que uma retaliação ao governo americano, como a aplicação da reciprocidade, poderia ser usada por Trump e Flávio Bolsonaro para criticar Lula, alegando que ele prioriza seus interesses eleitorais sobre os da economia brasileira.
Processo longo
Especialistas sugerem que a reação do governo não deve ser imediata. A expectativa é de que a administração Lula mantenha um discurso firme, mas preserve o diálogo técnico e adote uma abordagem cautelosa, especialmente em relação ao uso da Lei da Reciprocidade.
Uma resposta precipitada poderia acarretar riscos além do aspecto político. O uso da lei requer análises detalhadas sobre os impactos no mercado interno e envolve um processo que pode ser longo, incluindo discussões e consultas públicas.
“A lei prevê várias fases, começando pela Câmara de Comércio Exterior e passando por consultas públicas e com o governo dos EUA. Portanto, não é uma decisão imediata”, explica um especialista em comércio exterior.

Exportações brasileiras para os EUA desabam com o tarifaço, mas vendas para outros países compensam.
Quais são os riscos do uso da Lei da Reciprocidade?
Um dos principais riscos identificados é o impacto nos preços para os consumidores brasileiros. Se o governo decidir sobretaxar produtos americanos, isso poderá encarecer as importações e, consequentemente, afetar os preços finais ao consumidor.
Esse aumento de custos pode criar um efeito duplo negativo para a economia, já que o Brasil enfrentaria perdas tanto nas exportações quanto nos preços internos.
“O Brasil perderia duas vezes: primeiro, com as taxas sobre exportações para os EUA, e depois com o aumento dos custos de importação que seriam repassados ao consumidor”, afirma um especialista.
Portanto, o governo mantém cautela em sua resposta. Além das tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outras formas de reação aos EUA, que ainda estão sendo analisadas.
Entre as possíveis medidas, destacam-se:
- Patentes: suspensão de regras de propriedade intelectual que afetam empresas do país alvo.
- Serviços: imposição de tarifas ou restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo.
- Investimentos: suspensão de benefícios a investimentos de empresas do país alvo.
- Acordos comerciais: suspensão
