Brasil figura entre os cinco mercados prioritários do Google Cloud, afirma líder do Accelerator
Google Cloud destaca Brasil como mercado prioritário para inovação em startups.
O Brasil foi reconhecido como um dos cinco mercados prioritários do Google Cloud, conforme declarado por Henry Couto, chefe do Accelerator e Startups Latam, durante o encerramento da 13ª turma do programa de aceleração de startups em São Paulo.
A afirmação reforça a crescente atenção que o Google Cloud tem dedicado ao ecossistema de inovação brasileiro, especialmente no último ano. Recentemente, a empresa lançou o Gama Fund, em parceria com uma gestora de venture capital, com o intuito de financiar e acelerar startups brasileiras focadas em inteligência artificial (IA). Essa iniciativa faz parte do programa global AI Futures Fund, que já opera na Índia.
Couto ressaltou que, embora o programa de aceleração ofereça oportunidades, não garante investimento da gigante da tecnologia. Ele enfatizou que o foco do Google está em observar o potencial das startups brasileiras, sem prometer aquisições ou parcerias diretas.
Dentro do Accelerator
A 13ª edição do programa foi voltada para empresas com enfoque em IA, reunindo 11 startups de diversas áreas, como marketing, saúde e justiça. O evento culminou em um Demo Day, onde jornalistas, fundadores e investidores se reuniram para conhecer os projetos apresentados.
Durante as dez semanas do programa, o Google Cloud buscou se posicionar como a infraestrutura fundamental para o ecossistema de startups no Brasil. Couto afirmou que a empresa deseja ser a tecnologia que impulsiona as soluções desenvolvidas pelas startups, destacando a importância de entender as necessidades dos clientes.
O executivo também mencionou que a seleção das startups é rigorosa, visando identificar aquelas que realmente incorporam a IA em seus projetos. A análise abrange a viabilidade das propostas e o engajamento dos fundadores, além de exigir que as ideias apresentadas tenham um impacto social significativo e já tenham atraído algum investimento ou interesse de clientes.
A diferenciação entre entusiastas de IA e empresas realmente integradas à tecnologia é um desafio, mas Couto acredita que a apresentação de projetos facilita essa seleção. O Google busca startups que possam testar e oferecer feedback sobre seus produtos, contribuindo para melhorias contínuas.
Desde sua primeira edição no Brasil, o Accelerator já ajudou a formar empresas como Nubank, Creditas e Loft, que juntas somam US$ 130 bilhões em investimentos e apresentam uma taxa de sobrevivência de 94% no mercado.
Menos investidores, mais contratos
Os encontros promovidos pelo programa também passaram por uma mudança de perfil. Couto observou que, com o aumento das taxas de juros, a captação de recursos se tornou mais desafiadora. Atualmente, a maioria dos participantes são executivos em busca de contratos, em vez de investidores.
Daniel Victorino, cofundador e CEO da Galaxies, uma das startups aceleradas, utilizou o programa para desenvolver a plataforma Cidades Sintéticas, que aprimora as comunicações dos clientes com base em IA. Ele destacou que, além do desenvolvimento de produtos, a troca de experiências com outros empreendedores foi um fator crucial para a aceleração de sua startup.
Victorino planeja expandir sua empresa para os Estados Unidos, utilizando os recursos captados para internacionalizar a Galaxies. Ele acredita que a aplicação de IA reduz as barreiras geográficas e que a globalização é um passo necessário para evitar a concorrência.
Durante o Demo Day, Newton Neto, diretor de parcerias globais do Google, mencionou que a empresa está focando em climatechs e deeptechs, especialmente em soluções que melhoram a eficiência energética. Ele ressaltou que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e que há oportunidades significativas para otimizar o setor energético.
Para a próxima turma do Accelerator, Couto afirmou que ainda não há um foco definido nas startups a serem selecionadas, mas garantiu que o programa continuará centrado em IA, destacando sua importância no futuro da tecnologia.
