Brasil recusa visto a funcionários dos EUA que vieram investigar urnas eleitorais
Governo brasileiro nega vistos a representantes dos EUA por preocupações eleitorais
O governo brasileiro negou os pedidos de visto de dois integrantes do governo dos Estados Unidos que planejavam visitar o país. A decisão foi tomada após a análise do Itamaraty, que concluiu que a missão poderia gerar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro e influenciar as eleições presidenciais marcadas para outubro.
A comitiva americana era composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto. A negativa dos vistos foi baseada em indícios de que a visita poderia ser uma nova tentativa de exploração política do debate em torno das urnas eletrônicas.
As autoridades brasileiras consideraram que a viagem poderia enfraquecer a confiança no sistema eleitoral durante um período crítico de campanha. Não houve identificação dos representantes do Departamento de Estado como observadores eleitorais, o que levantou preocupações sobre suas intenções reais no Brasil.
Historicamente, o Brasil recebe observadores internacionais para monitorar seus processos eleitorais, mas os funcionários americanos não foram designados para essa função. Eles pretendiam discutir com autoridades brasileiras sobre o sistema eleitoral, o que levantou ainda mais suspeitas.
Os vistos foram negados em uma semana em que Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, questionou a segurança das urnas eletrônicas durante uma reunião com embaixadores de 42 países. O Ministério das Relações Exteriores suspeitou que a visita dos funcionários dos EUA poderia ser parte de um esforço coordenado para deslegitimar o processo eleitoral brasileiro.
No evento, Flávio Bolsonaro reiterou críticas ao sistema eletrônico de votação, alegando que as urnas brasileiras teriam ligação com a empresa Smartmatic, que, segundo ele, estaria envolvida em fraudes eleitorais na Venezuela. Contudo, a Smartmatic é uma empresa americana que nunca venceu licitações no Brasil, onde a principal fornecedora de urnas é a Positivo, de origem local.
As declarações de Flávio Bolsonaro foram alvo de críticas por parte de parlamentares da base governista, que lembraram que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por tentar disseminar informações falsas sobre o sistema eleitoral junto a embaixadores.
