Brasil se aproxima de se tornar o maior mercado de irrigação do mundo, mas enfrenta três desafios significativos
Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada nos próximos anos.
A agricultura brasileira atualmente conta com aproximadamente 11 milhões de hectares irrigados, mas estudos indicam que essa área pode chegar a 55 milhões de hectares, evidenciando um potencial de crescimento significativo.
Esse dado atualizado supera as previsões de um levantamento anterior que projetava 10 milhões de hectares irrigados apenas até 2030. A nova análise da Rede Nacional da Agricultura Irrigada (Renai) aponta para um avanço mais rápido do que o esperado.
A expansão da irrigação no Brasil pode transformar o país em um líder global neste setor nos próximos dez anos. Claudio Lima, CEO da Lindsay no Brasil, enfatiza que a empresa já vê o país como um dos principais mercados de vendas, devido à baixa adoção de sistemas de irrigação em propriedades agrícolas.
No Paraná, um dos maiores produtores de soja, apenas 0,2% das lavouras são irrigadas. Em Mato Grosso, líder do agronegócio, esse número chega a apenas 2%. Isso demonstra um enorme espaço para crescimento na irrigação, que ainda é incipiente no Brasil, mas com potencial para se tornar a maior do mundo.
Segundo pesquisas, há cerca de 35 mil pivôs instalados no Brasil, enquanto o estado de Nebraska, nos EUA, possui aproximadamente 75 mil, o que ilustra a disparidade no uso de tecnologia de irrigação.
Atualmente, o mercado norte-americano é a principal operação da Lindsay, representando cerca de 50% das receitas globais. Contudo, o Brasil já se destaca como a operação internacional mais relevante para a empresa.
Lineu Neiva Rodrigues, conselheiro da Renai e pesquisador da Embrapa Cerrados, destaca que a baixa adoção de irrigação no Brasil se deve à falta de necessidade histórica, que agora se torna mais premente devido às incertezas climáticas e à instabilidade da produção.
A crescente necessidade por segurança produtiva tem aquecido o mercado de irrigação. Lima observa que a rede de distribuidores da Lindsay no Brasil não havia registrado um volume tão alto de demanda nos últimos 24 anos.
Durante a 31ª Agrishow, houve um aumento no número de visitantes interessados em tecnologias de irrigação, com produtores buscando soluções e opções de financiamento. A urgência por implementação é clara, já que um projeto de irrigação envolve tempo e planejamento.
Os dados do setor mostram um desempenho melhor comparado a outras áreas da indústria de máquinas, com a venda de pivôs apresentando uma retração menor em relação a outros segmentos. A Câmera Setorial de Equipamentos de Irrigação apontou uma queda de aproximadamente 8% nas vendas de pivôs, enquanto outras áreas enfrentaram retrações de até 15%.
O custo de um grande pivô, capaz de cobrir áreas de até 350 hectares, varia em torno de R$ 22 mil por hectare. Esse investimento se torna mais vantajoso à medida que a área irrigada aumenta, diluindo os custos de captação de água e energia.
Crescimento ano a ano
A média de incremento de área irrigada no Brasil atualmente varia entre 200 mil e 300 mil hectares anualmente, com a expectativa de que esse número possa atingir 400 mil hectares nos próximos anos.
Estudos indicam que será necessário aumentar a produção global de alimentos em pelo menos 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar de uma população crescente. A irrigação é vista como a chave para alcançar esse objetivo de forma sustentável.
Atualmente, cerca de 20% da área agrícola mundial é irrigada, sendo responsável por aproximadamente 40% dos alimentos consumidos globalmente. No Brasil, desafios como crédito caro e alta taxa de juros, além de questões de estabilidade energética e legislação, dificultam o crescimento da agricultura irrigada.
Rodrigues menciona que a cultura de medo em relação ao transporte de água no Brasil limita o desenvolvimento agrícola, enquanto em outras regiões do mundo, como o Vale de San Joaquin na Califórnia, a irrigação é amplamente utilizada para garantir a produtividade.
A legislação atual, como a Lei das Águas, apresenta restrições que dificultam o uso eficiente da água, o que é um impedimento para o crescimento da irrigação. A crença de que a água deve ser transportada precisa ser superada para facilitar o desenvolvimento agrícola.
Por fim, Rodrigues acredita que uma mudança cultural é necessária para
