Brasileiros que trocaram o lazer pela luta: a realidade da guerra na Ucrânia

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Brasileiros na guerra da Ucrânia: desafios e realidades

A guerra na Ucrânia atraiu brasileiros para o campo de batalha, com motivações diversas que vão desde a busca por experiência militar até o desejo de ajudar no conflito contra a Rússia.

Um grupo de brasileiros se juntou às Forças Armadas ucranianas, muitos sem experiência prévia em combate. Eles relatam que a atmosfera no front é hostil e que o medo é uma constante em suas rotinas diárias.

“Só de você estar num ambiente hostil, você fica um pouco com medo, receoso. Mas você vai acostumando”, compartilhou um dos combatentes.

A remuneração também é um fator que atrai muitos a lutar na Ucrânia. Um dos brasileiros mencionou que sua remuneração gira em torno de R$ 6 mil mensais, dependendo da taxa de câmbio.

A realidade no front, no entanto, é muito mais complexa do que a ideia de uma aventura militar. Combatentes alertam que muitos jovens chegam sem entender as verdadeiras consequências de estar em uma guerra.

“Tem muitos jovens que vêm para cá com a ilusão, achando que isso aqui é um parque de diversão. Eu acho que as pessoas assistem muito filme, jogam muitos jogos de tiro e acham que aqui é a mesma coisa. Mas não é. É totalmente diferente”, afirmou um dos soldados.

Entre os brasileiros que enfrentaram os horrores da guerra, está Juliano, que passou seis meses na Ucrânia e participou de várias missões. Ele sofreu ferimentos graves em combate, resultando na amputação de um braço e uma perna.

Juliano passou por mais de 20 cirurgias e agora se recupera em um hospital militar em Lviv, onde veteranos e civis feridos recebem atendimento. Apesar do que ocorreu, ele acredita que sua participação teve um propósito.

“Dos drones que eu derrubei, salvei alguns soldados, então valeu a pena”, declarou.

Infelizmente, nem todas as histórias têm um final positivo. O Itamaraty confirmou que 38 brasileiros perderam a vida na guerra e 96 estão desaparecidos. Welisson, um jovem de 21 anos que decidiu lutar ao lado das forças ucranianas, é um dos desaparecidos.

Um ano após a morte de seu filho, Helem Matos viajou à Ucrânia para prestar uma homenagem e realizar um funeral simbólico. Ela buscou encerrar um ciclo doloroso diante do memorial de soldados em Kiev.

“Hoje o corpo do meu filho está jogado naquele lugar onde ele tombou e nunca vai ser resgatado. Hoje vou fazer uma homenagem lá no memorial, um funeral simbólico. Preciso fechar esse ciclo para eu poder viver o meu luto”, afirmou.

No memorial, entre as fotos de soldados ucranianos, também estão retratos de brasileiros que perderam a vida, evidenciando como o conflito transcende fronteiras e afeta diretamente famílias no Brasil.

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