Brigadianos acusados de homicídio de jovem no Interior do RS serão julgados em junho
Júri marcado para acusados de homicídio de jovem em São Gabriel
O júri dos três integrantes da Brigada Militar acusados de envolvimento na morte de um jovem de 18 anos em São Gabriel está agendado para o dia 29 de junho. A decisão foi tomada pela juíza Liz Grachten, responsável pela Vara Criminal do município. Desde o crime, que ocorreu na madrugada de 13 de agosto de 2022, os réus encontram-se em prisão preventiva.
As acusações contra os policiais incluem homicídio qualificado, motivado por razões fúteis e pela utilização de recursos que dificultaram a defesa da vítima. Gabriel Marques Cavalheiro, morador de Guaíba, foi encontrado sem vida em um açude na localidade de Lava Pé, após ser abordado pela polícia.
O jovem estava na região para cumprir o serviço militar obrigatório e foi alvo de uma denúncia por perturbação da ordem pública. Durante a abordagem, dois soldados e um segundo-sargento da Brigada Militar interpelaram Gabriel, que foi agredido com um cassetete na região do pescoço antes de ser levado em uma viatura até a zona rural. Após essa abordagem, o jovem não foi mais visto com vida.
A mãe de Gabriel afirmou que ele escolheu São Gabriel para servir ao Exército por ter parentes na área e por gostar do estilo de vida rural. Faltando apenas dois dias para sua apresentação ao Exército, ele se envolveu no incidente trágico.
Embriagado e desorientado, o recruta tentou entrar em uma casa próxima à sua hospedagem. A proprietária do imóvel, alarmada, acionou a Brigada Militar, que chegou ao local rapidamente. Testemunhas registraram em vídeo que o jovem foi agredido, algemado e levado na viatura.
Os policiais responsáveis pela abordagem relataram em um boletim de ocorrência que apenas revistaram Gabriel e o liberaram em seguida. No entanto, o desaparecimento do jovem, aliado ao testemunho em vídeo e ao rastreamento da viatura, levou a Corregedoria da Brigada a investigar o caso.
Após a investigação, os policiais mudaram sua versão, afirmando que levaram o jovem até as proximidades do açude a pedido dele. O corpo de Gabriel foi encontrado quase uma semana depois, em estado de decomposição.
Um laudo do Instituto-Geral de Perícias concluiu que a vítima já estava morta quando foi deixada na água, e a causa do óbito foi identificada como hemorragia interna torácica, resultante de lesão cervical causada por um golpe de objeto contundente.
No dia 19 de agosto, uma semana após seu desaparecimento, Gabriel foi encontrado submerso no açude. Os três policiais foram imediatamente alvos de prisão preventiva. No mês seguinte, a Justiça Militar aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que os acusou de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Além disso, os réus enfrentam, na Justiça comum, acusações de homicídio doloso triplamente qualificado, que incluem motivo fútil, tortura e uso de recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. Todos negam participação nos crimes, incluindo a falsidade ideológica, por fornecer informações falsas no boletim de ocorrência e por tentar ocultar o corpo de Gabriel.
