Brigadianos envolvidos na morte de recruta do Exército são sentenciados a 24 anos de prisão

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Brigadianos são condenados por homicídio de jovem recruta em São Gabriel

Após cinco dias de julgamento, o júri popular em São Gabriel decidiu a condenação de três brigadianos envolvidos na morte de um jovem recrutado para o Exército, ocorrido em 2022. Os policiais foram sentenciados a 24 anos de prisão em regime fechado, além da perda dos cargos e uma indenização de R$ 100 mil à família da vítima.

A condenação considerou o crime como homicídio qualificado, levando em conta agravantes como motivo fútil e utilização de métodos que dificultaram a defesa do jovem. A juíza responsável pelo caso, Liz Grachten, afirmou que os réus, que estão detidos desde a época do crime, têm o direito de apelar da decisão, mas não poderão fazê-lo em liberdade.

O crime ocorreu na noite de 12 de agosto de 2022. A vítima, Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, natural de Guaíba, havia chegado recentemente a São Gabriel para cumprir o serviço militar obrigatório. Ele se perdeu após uma festa e, em busca de ajuda, tentou entrar em uma residência nas proximidades.

Alarmada, a proprietária da casa acionou a Brigada Militar. Em poucos minutos, dois soldados e um segundo-sargento abordaram Gabriel. Durante a abordagem, um dos policiais agrediu o jovem com golpes de cassetete na região do pescoço, antes de transportá-lo algemado em uma viatura. Testemunhas registraram a ação com vídeos.

Os policiais alegaram no boletim de ocorrência que apenas revistaram e liberaram o jovem. No entanto, o desdobramento do caso, com o desaparecimento de Gabriel e as evidências em vídeo, levou a Corregedoria da BM a investigar o ocorrido.

Os acusados mudaram sua versão, afirmando que deixaram o jovem nas proximidades de um açude, supostamente a pedido dele. Uma semana depois, o corpo de Gabriel foi encontrado submerso, já em estado avançado de decomposição.

O exame realizado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) concluiu que a vítima já estava morta quando foi deixada na água, com a causa da morte sendo hemorragia interna provocada por lesões causadas por um objeto contundente. A partir disso, os policiais foram detidos preventivamente.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou uma denúncia formal contra os brigadianos, que inclui acusações de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Desde então, eles permanecem presos.

Acusação e defesa

Durante o julgamento, 17 testemunhas foram ouvidas, incluindo os acusados. A juíza realizou visitas ao local do crime em diferentes horários para que o júri compreendesse melhor a situação.

Na acusação, os promotores reafirmaram a responsabilidade dos réus pela morte do jovem, enfatizando a escalada de violência da situação e a gravidade das ações da corporação policial. Em contraste, a defesa argumentou a falta de provas concretas e negou que os policiais tivessem agredido Gabriel, insistindo que ele foi deixado em segurança após a abordagem.

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