Cabo Verde realiza eleições para Parlamento e primeiro-ministro neste domingo
Eleitores de Cabo Verde se preparam para um pleito decisivo em meio a tensões políticas.
Mais de 400 mil eleitores estão registrados para participar de uma eleição considerada crucial para o futuro do país. Este pleito ocorre em um momento significativo, marcando os 35 anos da transição democrática e os 50 anos da independência nacional, a serem celebrados em 2025. A disputa conta com a participação de cinco partidos.
As pesquisas realizadas durante a campanha indicam uma competição polarizada, com o partido governista MpD liderando, seguido de perto pelo PAICV. No entanto, a elevada taxa de indecisos e a possibilidade de abstenção levantam preocupações sobre o engajamento do eleitorado, o que pode influenciar decisivamente o resultado das eleições.
Tensões políticas e acusações mútuas
Cabo Verde, conhecido por sua estabilidade democrática, viu a campanha eleitoral ser marcada por tensões. O PAICV, que optou por não participar de um debate televisionado, acusou o MpD de utilizar recursos estatais para favorecer sua candidatura.
Por sua vez, o partido no poder atacou diretamente Francisco Carvalho, alegando que ele estava “contornando a lei”. O código eleitoral do país proíbe prefeitos em exercício de concorrerem a cargos legislativos sem renunciar. Carvalho, no entanto, escolheu não deixar seu cargo permanentemente, nomeando um substituto temporário para a prefeitura da capital.
Os programas políticos das duas principais forças são radicalmente diferentes. O MpD, sob a bandeira “Cabo Verde em Frente”, centrou sua campanha no desempenho econômico positivo, na redução do desemprego e na recuperação do turismo, um setor que representa 20% do PIB e foi severamente impactado pela pandemia de Covid-19. Em 2025, Cabo Verde registrou um crescimento econômico de 7,2%, destacando-se como um dos países africanos com maior PIB per capita, alcançando US$ 4.475 (aproximadamente R$ 22.800).
Em seus comícios, o primeiro-ministro fez um apelo pela continuidade, afirmando: “Queremos continuar a governar Cabo Verde, garantindo que o país possa continuar a crescer, reduzir a pobreza, aumentar o emprego para os nossos jovens e elevar o rendimento da população.” As principais promessas do MpD incluem um aumento de 30% no salário médio, um salário mínimo fixado em US$ 267 (cerca de R$ 1.350) e o fortalecimento da segurança pública.
Segurança e transporte no centro do debate
A segurança emergiu como um tema central no debate eleitoral, sendo também um ponto destacado pelo PAICV. O partido de esquerda apresenta o slogan “Cabo Verde para Todos” e foca em uma plataforma social que promete amplo acesso à saúde, ensino superior gratuito e um compromisso firme em conter a inflação.
Outra proposta fundamental da oposição é a melhoria das conexões dentro do arquipélago, através da reestruturação dos transportes marítimo e aéreo, além da redução dos preços das passagens para os residentes.
“É evidente que Cabo Verde não pode mais continuar neste caminho. Há questões urgentes que precisam ser abordadas para melhorar a vida das pessoas. Transporte mais barato e ensino universitário gratuito são investimentos para o país e para sua juventude. Queremos um governo sério e responsável”, afirmou Francisco Carvalho em suas redes sociais.
Apesar das trocas de acusações, o período pré-eleitoral tem se desenrolado de forma pacífica nas ruas. Para garantir a transparência do processo eleitoral, as autoridades locais contam com o apoio da União Africana e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), com cerca de 160 observadores internacionais distribuídos pelas dez ilhas do arquipélago.
A votação receberá atenção especial na ilha de Santiago, a mais populosa do país, que elege 33 dos 72 parlamentares. Os eleitores que residem no exterior, representando 17% do total registrado, têm o direito de eleger apenas seis deputados.
