Cadastra transforma estratégia de marketing com IA ao sair da pioneirismo em SEO para a era das respostas
Cadastra se reinventa e se adapta às novas demandas do marketing digital com foco em IA.
A Cadastra, que surgiu para solucionar um problema que já não existe, completou mais de 20 anos de atuação no mercado. Nos anos 2000, a empresa auxiliava organizações a cadastrarem seus sites em buscadores, um processo manual e crucial para a visibilidade digital. Com a automatização promovida pelo Google, esse modelo se tornou obsoleto, mas a Cadastra não apenas sobreviveu, como se reinventou. A empresa passou a entender o funcionamento do Google e se lançou no campo de Search Engine Optimization (SEO).
Essa mudança inicial estabeleceu a principal característica da companhia: a capacidade de adaptar seu modelo de negócios conforme a evolução tecnológica do mercado. Com o tempo, a Cadastra deixou de atuar apenas de forma técnica e se consolidou como uma operação voltada para a performance digital, integrando mídia, dados e tecnologia. O crescimento da empresa foi acelerado pela pandemia, que transformou a digitalização em uma necessidade. A partir de 2021, a Cadastra iniciou uma transformação mais estruturada e planejada.
Com a estratégia de aquisições chamada Next 5, a empresa ampliou seu portfólio e incorporou novas competências, como e-commerce, aumentando seu número de colaboradores de cerca de 200 para mil, com um crescimento médio superior a 35% ao ano. Agora, a Cadastra se prepara para uma nova fase, que promete ser mais complexa e menos previsível.
IA muda a lógica do marketing
A transformação atual da Cadastra está baseada na convergência de duas forças: a profissionalização do marketing por meio da tecnologia (MarTech) e a rápida evolução da inteligência artificial (IA). Essa evolução impacta todos os aspectos das campanhas, desde a criação até a distribuição, como explica o executivo da empresa. Para ele, não existe uma separação clara entre tecnologia da informação e negócios.
Campanhas que antes demoravam dias para serem lançadas agora podem ser executadas no mesmo dia. Além da velocidade, a personalização se tornou um fator crucial. “O mesmo anúncio pode ser diferente para cada pessoa. Isso muda completamente o modelo”, destaca o executivo.
Essa nova abordagem também altera a competição por relevância no ambiente digital. Enquanto o SEO organizava a visibilidade nos mecanismos de busca, agora é necessário preparar o conteúdo para ser interpretado e recomendado por sistemas de IA. “O jogo deixa de ser aparecer em links. Passa a ser a resposta”, afirma.
Nesse cenário, a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta, mas um intermediário nas decisões, dando origem ao conceito de Answer Engine Optimization (AEO). O foco agora não é apenas ranquear bem em mecanismos de busca, mas também ser a resposta que os sistemas de IA entregam. Para Adilson, isso muda a função das marcas no ambiente digital, que agora devem se preocupar com a relevância estruturada: conteúdos, dados e contextos precisam ser organizados de forma que possam ser compreendidos e utilizados por agentes inteligentes. A diferença está em ser encontrado ou escolhido.
Internamente, a Cadastra aplica a mesma lógica que oferece ao mercado e os resultados já são visíveis. Um processo que envolvia cerca de cem pessoas e levava até sete dias para a produção de peças digitais foi otimizado com o uso de IA. Atualmente, esse processo é realizado em aproximadamente seis horas, com uma equipe reduzida a 20 pessoas. O executivo ressalta que o ganho vai além da eficiência: “O principal não é reduzir custo. É melhorar qualidade e eliminar fricção”.
Um pool de agentes
Para impulsionar sua estratégia de IA, a Cadastra estruturou um hub interno de inteligência artificial, estabeleceu governança sobre o uso de modelos e investiu em letramento em larga escala. Além disso, incentivou seus colaboradores a desenvolverem agentes, resultando em mais de 500 agentes em operação interna. A ideia é descentralizar a inovação, permitindo que as áreas de negócio sejam as responsáveis pela construção de soluções.
Esse movimento também redefine o papel da liderança em tecnologia. O CIO, segundo o executivo, deixa de ser um mero operador de tecnologia e passa a ser um curador de decisões. “O desafio não é mais o acesso à tecnologia, mas sim escolher o que faz sentido para o negócio”, conclui.
