Café registra maior aumento na cesta básica em 2025 e preço deve se estabilizar, afirma indústria
Café tem maior alta da cesta básica em 2025, e preço deve manter patamar atual
O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), divulgado recentemente.
O preço da bebida deve continuar alto em 2026, mesmo com a expectativa de uma maior oferta devido a uma boa safra. Os estoques mundiais do grão estão esvaziados, e a colheita deste ano será utilizada para recompor essas reservas, segundo o presidente da Abic.
O faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões. Esse aumento foi impulsionado pelo crescimento do preço do café nos supermercados.
Entre 2021 e 2025, o valor do café subiu 116% para o consumidor, embora a alta tenha sido menor do que a registrada pela indústria na compra do grão dos produtores, que foi de 212% para o café arábica, a variedade mais consumida no Brasil.
Apesar da queda nos preços, o consumo no Brasil se manteve relativamente estável, demonstrando resiliência mesmo após os aumentos expressivos nos últimos anos.
Por que o café encareceu
O estudo da Abic analisou seis alimentos da cesta básica. Quatro deles apresentaram queda de preços em 2025, como açúcar (-13,3%), leite (-4,9%), arroz (-31,1%) e feijão (-14,3%). Em contrapartida, o preço do óleo de soja subiu 1,2% e o do café torrado e moído, 5,8%.
Vários fatores contribuíram para a alta do preço do café em 2025:
☕ O tarifaço de 50% dos EUA sobre o café brasileiro, que fez o preço do grão disparar na bolsa de Nova York, referência mundial para a negociação do produto;
☕ Os baixos estoques de café no mundo, resultado de quatro anos consecutivos de queda na colheita dos principais produtores devido a problemas climáticos;
☕ A queda na produção causada por problemas climáticos, afetando especialmente o café arábica, a principal variedade produzida no Brasil;
☕ O repasse do aumento de custos para os consumidores, que foi transmitido em menor proporção nas gôndolas. O presidente da Abic afirmou que o preço do café ainda subiria cerca de 70% se a indústria repassasse toda a alta de custos desde 2021 ao consumidor.
Como fica o café em 2026
Embora não haja balanços oficiais da safra, o presidente da Abic acredita que o Brasil terá uma boa colheita em 2026. O fenômeno climático La Niña, que ocorreu no ano anterior, resultou em condições climáticas favoráveis nas áreas produtoras.
Entretanto, para que haja uma queda real nos preços do café, seriam necessárias ao menos duas boas safras consecutivas. O foco atual da indústria é recuperar os estoques.
Com a expectativa de mais grãos disponíveis, os preços devem oscilar menos, possibilitando promoções nos supermercados. O presidente da Abic observa que qualquer redução de preço leva os consumidores a comprar mais, pois o café é um item essencial.
Uma leve queda nos preços já foi notada em dezembro, com o café tradicional extraforte apresentando uma redução de 7,1% em relação ao mês anterior. Essa diminuição ocorreu após a queda no preço da matéria-prima, que foi repassada ao consumidor.
O café em cápsulas também teve uma redução significativa, com preços 13,2% mais baixos em dezembro em comparação a novembro, e uma queda de 16,8% em relação a janeiro de 2025.
Essa diferença nos preços se deve ao fato de que a quantidade de café por quilo comercializado em cápsulas é diferente em relação aos pacotes tradicionais. Além disso, a indústria pode ter fechado acordos para vender o produto a preços mais baixos a partir de abril, impulsionada pela expectativa de uma boa safra de robusta.
