Caiado anuncia candidatura em meio à influência da UDR

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PSD e a trajetória de Ronaldo Caiado: uma análise da política brasileira contemporânea.

Ao fundar o PSD há 15 anos, Gilberto Kassab afirmou que o partido não seria alinhado a nenhuma das correntes políticas tradicionais. Desde então, a legenda transitou por diferentes governos, incluindo os de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Com a escolha de Ronaldo Caiado como candidato, Kassab parece ter se alinhado à ultradireita.

Caiado, desde o início de sua carreira política na década de 1980, se destaca como uma figura anacrônica no cenário brasileiro. Sua primeira aparição significativa foi nas eleições presidenciais de 1989, onde se apresentou de maneira excêntrica, montado em um cavalo branco, enquanto uma mensagem atribuída a Chico Xavier prometia um “homem franco e sincero” que traria esperança ao país. No entanto, essa profecia não se concretizou nas urnas, resultando em apenas 0,72% dos votos.

Décadas depois, essa narrativa do cavalo branco foi reavivada por apoiadores de Bolsonaro, mas foi rapidamente desmentida por checagens que esclareceram a origem do texto, que remonta a 1952 e não menciona nomes específicos.

Mais do que um bufão, Caiado é um defensor fervoroso da manutenção de uma estrutura agrária elitista. Ele foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR) em 1985, uma organização que surgiu como uma reação da elite agrária ao Plano Nacional de Reforma Agrária. Sob sua liderança, a UDR mobilizou grandes proprietários contra qualquer tentativa de redistribuição de terras, caracterizando essas iniciativas como comunistas.

A UDR se destacou por seu lobby agressivo no Congresso e na Constituinte de 1988, onde Caiado atuou como um de seus principais porta-vozes. A organização colaborou com o Centrão para frustrar propostas de reforma agrária e restringir a desapropriação de grandes propriedades.

Os núcleos regionais da UDR também serviram como bases de resistência armada contra ocupações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A professora Regina Bruno, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, descreve Caiado e a UDR como exemplares dos mecanismos de dominação de classe das elites agrárias no Brasil.

A UDR também foi implicada em práticas violentas, incluindo leilões para a compra de armas, que foram confirmados por seus dirigentes. Estima-se que um arsenal de 70 mil armas estivesse em posse de seus membros, que alegavam estar se preparando para uma “legítima defesa”. Essa escalada armamentista coincidiu com uma onda de violência no campo, incluindo o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes em 1988, que foi encomendado por alguém ligado à UDR.

Em 1998, outro membro da UDR no Paraná foi denunciado pelo assassinato de um trabalhador rural durante um despejo ilegal, evidenciando a longa história de violência associada à organização.

A influência da UDR se consolidou na atual Bancada Ruralista, da qual Caiado foi um dos principais arquitetos. Embora a abordagem tenha mudado de ações violentas para um lobby institucional, os objetivos permanecem os mesmos.

Essa agenda ruralista chegou ao Planalto antes mesmo de Caiado assumir um cargo. Ao ser eleito, Bolsonaro nomeou Luiz Antônio Nabhan Garcia, ex-presidente da UDR, para a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, o que facilitou a aliança entre o agronegócio e o governo.

No poder, Caiado promoveu um desmonte da reforma agrária, congelando a criação de novos assentamentos e paralisando a aquisição de terras pelo Incra, enquanto redirecionava o órgão para uma política de titulação em massa que enfraqueceu a função social da propriedade.

Estudos sobre sua gestão revelaram que o secretário priorizava representantes da ala mais violenta do agronegócio, ignorando movimentos sociais e comunidades indígenas. O termo “ogronegócio” foi usado para descrever essa faceta do setor que resiste a mudanças e utiliza métodos violentos de controle.

Caiado defende a propriedade com veemência, vindo de uma linhagem que domina Goiás desde o século XVIII. Seu avô foi um influente coronel da República Velha, conhecido por seu uso do clientelismo e da força para manter o poder.

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