Campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta impasse na escolha do vice e aliados propõem testar Cleitinho
Pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta impasses na escolha do vice e desafios eleitorais.
A pré-campanha à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está marcada por incertezas, especialmente em relação à escolha do candidato a vice. As pesquisas internas realizadas pelo partido indicam que os nomes testados não trazem variações significativas na intenção de votos.
Nos últimos dias, a discussão sobre a vice-presidência ficou em segundo plano, em parte devido ao desgaste da imagem de Flávio, relacionado à sua conexão com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e à possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos afetarem o Brasil.
Parlamentares envolvidos na pré-campanha acreditam que a definição do vice não ocorrerá antes da metade de julho. Flávio pretende utilizar o período da Copa do Mundo para fortalecer alianças estaduais e construir palanques eleitorais.
Recentemente, o PL incluiu na pesquisa interna nomes como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), além da vereadora Priscila Costa (PL) de Fortaleza. Apesar de as análises apontarem que essas candidatas não agregam votos, a presença delas poderia trazer uma imagem positiva à chapa, destacando a integridade e a representatividade feminina.
As candidaturas de Clarissa e Priscila também visam atrair o eleitorado nordestino, onde Flávio enfrenta desvantagens, além de reforçar sua conexão com o eleitorado religioso, já que ambas são evangélicas, enquanto Simone é católica.
O círculo próximo a Flávio defende a escolha de uma mulher para a vice-presidência, buscando contrabalançar as declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro, que têm sido acusadas de machismo, e tentar recuperar a preferência do eleitorado feminino, que atualmente favorece Lula (PT).
De acordo com pesquisas recentes, Lula lidera com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio possui 29%. Quando se considera apenas o eleitorado feminino, a diferença é ainda mais acentuada, com Lula alcançando 41% e Flávio apenas 24%.
Flávio mencionou que o prazo para a escolha do vice é até 14 de agosto, ressaltando que busca alguém que complemente a chapa e que tenha um perfil preparado e íntegro.
Na última semana, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, sugeriu publicamente a deputada Julia Zanatta (PL-SC) como uma possível vice, destacando sua lealdade e atuação no Congresso.
Tereza Cristina, por sua vez, já descartou a possibilidade de ser vice, pois seu foco principal é a presidência do Senado no próximo ano. No entanto, aliados afirmam que, caso receba um convite formal, ela poderia reconsiderar sua posição.
A escolha do vice também é dificultada pela falta de apoio de partidos do centrão e da direita. O presidente do Republicanos já sinalizou que a sigla não apoiará nenhum candidato à presidência. Além disso, a aliança com a federação formada pelo PP e União Brasil permanece indefinida, especialmente após os recentes escândalos envolvendo Flávio.
Nos últimos dias, alguns integrantes do PL sugeriram a inclusão do senador Cleitinho (Republicanos-MG) nas pesquisas como possível vice. Embora Cleitinho seja um forte candidato ao Governo de Minas Gerais, ele já expressou que não tem intenção de concorrer.
Enquanto Flávio insiste na escolha de uma mulher, alguns membros da pré-campanha argumentam que a credibilidade e a capacidade de assumir a presidência em sua ausência são igualmente importantes na escolha do vice. A experiência e a habilidade de dialogar com o setor empresarial também são vistas como atributos desejáveis.
