Candidato de Petro Anuncia Pedido de Recontagem dos Votos nas Eleições da Colômbia
Abelardo de la Espriella é eleito presidente da Colômbia em apuração preliminar.
A apuração preliminar das eleições na Colômbia indica que o advogado e empresário de direita, Abelardo de la Espriella, venceu a eleição presidencial por uma margem estreita. O resultado foi divulgado neste domingo (21).
De acordo com os dados do “preconteo”, De la Espriella superou o senador Iván Cepeda por menos de 250 mil votos, com 12.959.515 votos contra 12.708.695 do candidato esquerdista, aliado do atual presidente Gustavo Petro.
A apuração eleitoral na Colômbia ocorre em duas etapas. A primeira, o “preconteo”, é uma contagem preliminar baseada nas atas dos locais de votação. O resultado oficial, no entanto, só é proclamado após o “escrutínio”, onde juízes revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências. Este processo deve começar nesta segunda-feira (22) e, no primeiro turno, levou dois dias para ser concluído.
Em um vídeo, De la Espriella celebrou sua vitória, vestindo uma camiseta da seleção colombiana, e defendeu acordos militares com os Estados Unidos para combater o crime organizado. Ele declarou: “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”.
Por outro lado, Iván Cepeda se dirigiu a seus apoiadores, afirmando que não considera o resultado oficial e que aguardará o escrutínio para reconhecer o resultado. O presidente Gustavo Petro também se manifestou, ressaltando que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio e pediu calma aos cidadãos.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia informou que a votação ocorreu de forma tranquila e foi acompanhada por observadores internacionais.
De la Espriella, conhecido por seu discurso antissistema, fez campanha com propostas rigorosas de segurança, inspiradas no governo de El Salvador, prometendo uma ofensiva militar contra grupos armados e narcotraficantes, além da construção de megapresídios.
O advogado, apelidado de “El Tigre”, também manifestou intenção de retirar a Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, alegando que essas instituições promovem “políticas de esquerda”.
O presidente argentino, Javier Milei, celebrou a vitória de De la Espriella, afirmando que “o leão e o tigre rugem na América Latina. A liberdade avança e já não há volta atrás”.
Com sua eleição, De la Espriella se junta a outros líderes de direita recentemente eleitos na América Latina, como Jorge Kast, no Chile, e Rodrigo Paz, na Bolívia. No Peru, a apuração das eleições ainda está em andamento, com a direitista Keiko Fujimori à frente.
Quem é Abelardo de la Espriella
Abelardo de la Espriella é um advogado e empresário que se apresenta como um “salvador antissistema”, prometendo um corte radical nos gastos públicos. Naturalizado cidadão dos EUA, ele é filiado ao Partido Republicano e já viveu em Miami.
Ele é admirador das políticas de Donald Trump e Nayib Bukele, prometendo uma ofensiva militar contra o crime e a construção de 10 megaprisões. Em seu governo, não haverá processos de paz com criminosos, que serão eliminados conforme a lei, segundo suas declarações.
A violência é a principal preocupação dos colombianos, superando questões econômicas, mesmo após o atual governo ter aumentado o salário mínimo e reduzido o desemprego. De la Espriella não acredita que o diálogo resolverá os problemas com guerrilhas e grupos armados.
Ele critica o governo de Petro por problemas econômicos e de segurança, prometendo reduzir o tamanho do Estado em 40% e cortar impostos corporativos para fomentar o emprego no setor privado.
Apesar de seu discurso firme, De la Espriella mantém um site de vendas onde oferece bebidas, livros e roupas. Ele também se envolveu em polêmicas, incluindo declarações controversas sobre sua vida pessoal e sua defesa de Alex Saab, um empresário colombiano acusado de atuar como laranja do governo venezuelano.
Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio, e De la Espriella afirma que sua relação profissional com ele começou antes das acusações e que ambos não trabalham juntos há seis anos.
