Candidato ultraconservador promete R$ 29 mil por evidências de fraude eleitoral no Peru
Rafael López Aliaga oferece recompensa por informações sobre irregularidades eleitorais no Peru.
O candidato ultraconservador à presidência do Peru, Rafael López Aliaga, anunciou uma recompensa de 20 mil soles peruanos, equivalente a cerca de R$ 29 mil, para funcionários eleitorais que apresentarem informações “verdadeiras e comprováveis” sobre irregularidades nas eleições.
Ex-prefeito de Lima e admirador de Donald Trump, López Aliaga está em uma disputa acirrada por uma vaga no segundo turno, marcado para junho. Recentemente, ele foi ultrapassado pelo esquerdista Roberto Sánchez, com uma diferença mínima de votos: 11,97% contra 11,91%, representando menos de 10 mil votos de diferença.
A candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori, saiu na frente no primeiro turno, conquistando 17% dos votos. Essa situação acirra ainda mais a competição entre os candidatos.
Em uma publicação na rede social X, López Aliaga destacou que funcionários do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), do Júri Nacional de Eleições (JNE) ou de empresas envolvidas no processo eleitoral que apresentarem provas de “fraude ou sabotagem” seriam recompensados. Ele também assegurou “confidencialidade absoluta” para os denunciantes.
“O Peru precisa da verdade. Este é o momento de agir”, enfatizou o candidato em sua mensagem.
Problemas na votação e atraso na abertura das urnas
As eleições presidenciais, que contaram com um recorde de 35 candidatos, enfrentaram sérios problemas na distribuição de urnas e cédulas, resultando em atrasos na abertura da votação em diversos centros eleitorais em Lima.
Durante o processo eleitoral, houve intervenções de policiais e promotores nas instalações da Onpe. O chefe do órgão, Piero Corvetto, e outros três funcionários foram denunciados por supostos crimes contra o sufrágio, levantando preocupações sobre a integridade do processo.
Estima-se que cerca de 50 mil eleitores não conseguiram votar, levando as autoridades a estenderem o prazo até a segunda-feira seguinte.
Pressão por anulação da eleição
Em um discurso dirigido a seus apoiadores, López Aliaga deu um ultimato de “24 horas” para que as autoridades eleitorais proclamem a “nulidade absoluta” da eleição, intensificando a pressão sobre o sistema eleitoral.
Uma missão de observadores da União Europeia, no entanto, declarou não ter encontrado “elementos objetivos” que indicassem fraude nas eleições, o que pode complicar as alegações de López Aliaga.
Ainda há uma quantidade significativa de atas não contabilizadas, com o Júri Nacional de Eleições se preparando para analisar cerca de 5.200 documentos que contêm centenas de milhares de votos. De acordo com especialistas, “pode levar algumas semanas para conhecer os resultados finais”, conforme mencionado por Álvaro Henzler em entrevista à rádio RPP.
