Canetas emagrecedoras provocam impacto no mercado de frango e na demanda por grãos
Expectativa de crescimento na demanda por proteína animal devido ao aumento no uso de canetas emagrecedoras.
Estima-se que o número de usuários de canetas emagrecedoras no mundo possa ultrapassar 100 milhões até 2030. Essa projeção está ligada à quebra de patentes de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que deve resultar na redução dos preços e no aumento do consumo desses produtos.
Com essa crescente demanda, surgem preocupações sobre uma possível diminuição do consumo de alimentos, uma vez que esses medicamentos atuam na redução do apetite. No entanto, pesquisas recentes apontam que essa tendência pode não se aplicar ao setor de grãos e proteínas animais, especialmente carne de frango e ovos.
O consumidor atual busca saciedade prolongada, o que favorece o consumo de proteínas magras. Projeções indicam que as exportações brasileiras de carne de frango podem aumentar entre 12% e 15% no médio prazo, refletindo essa mudança de comportamento.
Mudança na dieta e no comportamento
Um relatório recente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) aponta para uma mudança estrutural no perfil de consumo global de proteínas. O setor de ovos, por exemplo, atingiu uma produção recorde de 62,3 bilhões de unidades em 2025, resultado da crescente valorização desse alimento como saudável e essencial.
No que diz respeito à carne de frango, o consumo per capita se manteve alto, alcançando 46,7 kg por habitante no ano anterior, demonstrando a relevância contínua desse produto na dieta dos brasileiros.
Oportunidades estratégicas para o Brasil
Esse cenário abre novas oportunidades para o setor exportador de grãos. O aumento no consumo de proteínas impulsiona a demanda por rações, que são compostas principalmente por milho e farelo de soja, representando cerca de 60% e 25%, respectivamente, na formulação.
Consultorias projetam que, em um cenário otimista nos próximos 5 a 7 anos, a demanda por milho para ração pode crescer até 10%, enquanto o farelo de soja pode ver um aumento de até 12%.
Além de impactar as exportações brasileiras, destaca-se também a ascensão dos Smart Foods — alimentos desenvolvidos para aumentar a saciedade e densidade nutricional. Isso abre espaço para que frigoríficos explorem esse mercado em expansão.
Entretanto, nem todos os setores se beneficiarão desse cenário. Espera-se uma queda significativa no consumo de alimentos ultraprocessados, carboidratos e açúcares, indicando uma transformação nos hábitos alimentares que exigirá resiliência e adaptações nas estratégias de mercado.
