Cármen Lúcia condena a violência de gênero em sua última sessão como presidente do TSE
Ministra Cármen Lúcia encerra presidência do TSE com críticas à violência de gênero
A ministra Cármen Lúcia se despediu da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (7), encerrando seu ciclo à frente da Corte com um forte discurso sobre a violência de gênero enfrentada por mulheres em posições de poder. Durante seu último julgamento, ela foi homenageada por seus colegas.
Em sua fala, a ministra enfatizou a importância da Justiça Eleitoral na promoção da igualdade de gênero, destacando que essa questão transcende a civilidade e se trata de um problema de humanidade. “O que nós queremos é uma Justiça para humanos e humanas igualmente dignas”, afirmou.
Cármen Lúcia também ressaltou a necessidade de que as advogadas brasileiras tenham acesso igualitário às oportunidades, questionando por que elas enfrentam mais obstáculos em suas carreiras em comparação a seus colegas homens. “As advogadas são tão qualificadas quanto qualquer dos melhores advogados do Brasil”, afirmou.
Esta foi a segunda passagem da ministra pela Corte Eleitoral, sendo a primeira mulher a presidir o TSE. Ela esteve à frente de duas eleições municipais, em 2012 e 2024.
O ministro Nunes Marques, que assumirá a presidência do TSE na próxima terça-feira (12), prestou homenagens à ministra, reconhecendo sua atuação em prol da visibilidade das questões de participação feminina na vida pública. Ele destacou a “defesa intransigente” de Cármen Lúcia pela inclusão de advogadas nas listas tríplices para as Cortes Eleitorais.
Marques elogiou a dedicação da ministra à democracia, afirmando que ele e André Mendonça, que tomará posse como vice-presidente, se comprometerão a seguir seu exemplo na condução das eleições de 2024, com foco na firmeza das normas eleitorais e na proteção dos direitos de cidadania.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também presente na sessão, definiu a trajetória de Cármen Lúcia nas Cortes superiores como “exitosa, culta e íntegra”. Ele ressaltou que sua passagem pelo TSE deixa um legado importante na defesa da democracia e dos direitos fundamentais.
