Cármen Lúcia identifica falhas em Moraes e Mendonça e se torna figura central na disputa no STF
Ministra Cármen Lúcia pondera sobre apoio a Mendonça ou Moraes em meio à crise no STF.
A ministra Cármen Lúcia, do STF, está em uma posição delicada, avaliando erros cometidos pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes nas ações que culminaram em uma crise institucional. Sua decisão sobre a quem apoiar é aguardada com expectativa.
A disputa entre Moraes e Mendonça pelo voto de Cármen é crucial para a hegemonia de seus grupos no Supremo. A ministra tem um papel fundamental nas deliberações que ocorrerão sobre as condutas de ambos os ministros.
O STF irá discutir se Mendonça agiu de forma arbitrária nas investigações sobre o Banco Master e o INSS, que resultaram em um relatório da PF apontando Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Além disso, será avaliada a legalidade da ação de Moraes ao utilizar o inquérito das fake news para investigar Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. Antes de tomar essa decisão, Cármen contatou Moraes para expressar solidariedade em relação à sua exposição pública.
Na terça-feira, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que continha diálogos entre Vorcaro e ele, incluindo uma mensagem do banqueiro sobre deixar o país antes de ser preso, em 2025.
Embora Moraes tenha interpretado o telefonema de Cármen como um sinal positivo, a ministra não garantiu apoio nas votações futuras. A utilização do inquérito das fake news como retaliação a Mendonça também não agradou a Cármen, que expressou perplexidade com a situação atual do Supremo.
A ministra está ciente de que seu voto é disputado e que há especulações no meio jurídico sobre qual lado ela escolherá. No entanto, ela afirma que sua decisão será baseada exclusivamente nos autos do processo.
Moraes conta com o apoio de ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino, enquanto Mendonça acredita ter a adesão de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito de atuar nos casos relacionados ao Banco Master.
Ambos os ministros acreditam que podem conquistar o apoio de Cármen, o que poderia mudar a dinâmica de forças no STF. Aliados de Mendonça argumentam que a ministra deve considerar a gravidade da situação, onde um colega é suspeito de envolvimento com a rede de influência de Vorcaro.
Uma fonte próxima a Mendonça destacou a reputação de integridade de Cármen e como um voto que favoreça um colega poderia comprometer essa imagem. Por outro lado, o entorno de Moraes acredita que Cármen já demonstrou ser contrária a ações arbitrárias e que sua decisão será pautada pela justiça.
Se o plenário apoiar a posição de Mendonça, isso pode abrir precedentes perigosos, permitindo que qualquer magistrado investigue outro, transformando o Supremo em um campo de batalha. Mendonça, por sua vez, vê a possibilidade de agir no âmbito do inquérito das fake news.
As divisões atuais no STF mostram que Cármen tem se alinhado a Mendonça em algumas questões, como a defesa de um código de conduta para a corte, mas também acompanhou Moraes em ações importantes. Interlocutores afirmam que a ministra não está comprometida com nenhum dos lados e que suas decisões são guiadas pela Constituição.
A crise institucional no STF gera preocupações sobre seu impacto a longo prazo, e Cármen Lúcia tem manifestado receios sobre as consequências que isso pode trazer para a imagem da corte.