Castro renuncia à candidatura ao Senado após investigações da PF
Cláudio Castro desiste da pré-candidatura ao Senado após investigações da Polícia Federal.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou sua retirada da pré-candidatura ao Senado Federal pelo Partido Progressista (PP) nesta quinta-feira (28).
A decisão, segundo Castro, foi fruto de uma reflexão profunda, tanto pessoal quanto familiar, especialmente em um período recente marcado por intensa exposição pública e diversas acusações que afetaram sua vida política e sua família.
Ele ressaltou que agora pretende concentrar seus esforços na defesa e no esclarecimento das acusações que têm sido feitas contra ele, afirmando estar convicto da legalidade de suas ações ao longo de sua trajetória pública.
O anúncio vem após Castro ser alvo de investigações da Polícia Federal, que apura seu suposto envolvimento em fraudes financeiras relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Na última terça-feira (26), o ex-governador foi alvo da oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros associados ao Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro.
As investigações revelaram que mais de R$ 3 bilhões do Rioprevidência foram aplicados no Banco Master, levantando sérias suspeitas sobre a gestão dos recursos.
De acordo com uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os indícios coletados pela PF sugerem que Castro teve um papel significativo na facilitação desses investimentos, em troca de vantagens indevidas para os envolvidos.
As apurações indicam que a atuação de Castro começou com a troca de comando na RioPrevidência, onde ele nomeou pessoas ligadas ao esquema criminoso.
Além disso, há cerca de 15 dias, Castro foi alvo de outra operação da PF que investiga irregularidades no setor de combustíveis, especificamente na Refinaria de Manguinhos.
Julgamento no TSE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para o dia 2 de junho o julgamento do recurso de Cláudio Castro contra a decisão que o declarou inelegível até 2030.
Em março, o TSE determinou a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão devido à condenação de Castro. Essas eleições são decididas pelos deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O PSD, partido de Castro, recorreu ao STF, defendendo a realização de eleições diretas. Na véspera do julgamento, o ex-governador renunciou ao mandato para se desincompatibilizar e se candidatar ao Senado.
Essa manobra foi interpretada como uma tentativa de garantir a realização de eleições indiretas, em vez de diretas, que são decididas pelo voto popular.