Chilena desaparecida na era Pinochet é encontrada viva após 50 anos
Bernarda Rosalba Vera Contardo, considerada desaparecida, é encontrada viva na Argentina após décadas de incertezas.
A chilena Bernarda Rosalba Vera Contardo, que foi considerada desaparecida durante a ditadura de Augusto Pinochet, está viva e residindo na Argentina.
Vera desapareceu em outubro de 1973, logo após o golpe militar no Chile, e foi acreditada como uma das muitas vítimas de desaparecimento forçado. No entanto, ela se casou, teve filhos e obteve a nacionalidade sueca durante sua vida na Argentina.
Recentemente, uma equipe de televisão a localizou em um balneário de Miramar, onde a Justiça confirmou sua identidade. Um teste de DNA realizado pelo ministro chileno responsável por causas de direitos humanos, Álvaro Mesa Latorre, confirmou que ela é a mesma pessoa que foi dada como morta há anos.
O teste indicou uma probabilidade de identificação superior a 99,9999%, utilizando amostras do Banco Genético de Familiares de Prisioneiros e Executados Políticos do Serviço Médico Legal do Chile. Vera concordou em se submeter ao teste, que foi realizado por meio de um tribunal argentino.
A versão oficial
Em 1973, Bernarda Vera tinha 27 anos, era casada e mãe de uma menina de cinco anos. Ela era professora em Puerto Fuy e uma militante ativa dos movimentos de esquerda.
A Comissão da Verdade e Reconciliação, formada em 1990, investigou as violações de direitos humanos durante a ditadura e incluiu Vera como uma das vítimas de desaparecimento forçado. O Relatório Rettig, publicado em 1991, indicou que ela havia sido detida por militares e supostamente executada em 10 de outubro de 1973.
O documento oficial afirmava que Vera foi capturada em Liquiñe e que seu paradeiro era desconhecido desde então, com relatos de que ela teria sido executada ao lado de outros prisioneiros.
A versão alternativa
Controvérsias sobre o desaparecimento de Vera surgiram quando um ex-companheiro de militância afirmou que ela havia conseguido escapar e se refugiado nas montanhas após o golpe. Ele alegou que Vera, conhecida como “Anita”, estava viva e se escondia.
Segundo relatos, Vera conseguiu fugir para a Argentina com a ajuda de um membro do MIR e posteriormente se estabeleceu na Suécia, onde viveu até retornar à Argentina no final da década de 1990.
‘Só quer viver uma vida em paz’
Bernarda Vera evitou os holofotes quando a equipe de reportagem a encontrou, mas seu filho Maximiliano declarou que ela sempre soube que um dia seria encontrada. Vera expressou o desejo de não discutir seu passado e viver em paz.
A busca da filha
A filha de Vera, que tinha apenas cinco anos quando ela desapareceu, ficou sem notícias por décadas. A presidente da associação de Prisioneiros Desaparecidos de Valdivia, que conhecia Vera, relatou a confusão e a incredulidade ao saber que ela estava viva.
Após a confirmação do paradeiro de sua mãe, a filha de Vera, agora com 58 anos, expressou ceticismo e afirmou que, se sua mãe estivesse viva, ela teria feito contato.
O ministro Álvaro Mesa confirmou a verdade para a filha, que recebeu um relatório pericial de DNA. A dúvida persiste sobre o conhecimento da família em relação ao destino de Vera.
A mãe de Bernarda Vera havia recebido uma pensão de reparação, e sua filha, em situação de incapacidade, também recebe benefícios.
A aresta política e judicial
Com a confirmação de que Vera não é uma prisioneira desaparecida, membros da direita chilena exigiram investigações sobre a situação, questionando se houve má-fé na recepção de fundos de reparação.
A ação judicial sobre o desaparecimento de Vera foi aberta em 2009, mas foi arquivada em 2014 por falta de provas. Em 2025, o Plano Nacional de Busca entrou em contato com a filha após identificar incongruências no caso.
A reportagem revelou que autoridades sabiam das discrepâncias sobre o destino de Vera, mas não agiram. O governo atual planeja investigar possíveis responsabilidades administrativas e tomar ações judiciais.
