China busca diminuir dependência de alimentos importados e suas implicações para o agronegócio brasileiro
Desafios da segurança alimentar entre EUA e China impactam o Brasil
A segurança alimentar se tornou um tema central nas estratégias de desenvolvimento da China, refletindo a necessidade de autossuficiência em um cenário global competitivo.
O presidente chinês, Xi Jinping, tem enfatizado a importância de garantir que a produção de alimentos esteja sob controle nacional, visando reduzir a dependência de importações. Essa diretriz é parte integrante do 15º Plano Quinquenal da China, que estabelece metas para o período de 2026 a 2030.
O plano destaca a necessidade de aumentar a produção interna de produtos agrícolas, como soja, milho e carne, áreas nas quais o Brasil é um fornecedor significativo. Especialistas acreditam que, embora não haja uma ruptura nas importações chinesas, as empresas brasileiras precisarão se adaptar a essas novas estratégias.
Theo Paul Santana, consultor especializado, ressalta que o foco deve ser em agregar valor aos produtos, movendo-se de commodities para cortes premium e produtos processados, além de diversificar os mercados para não depender exclusivamente da China.
A China enfrenta limitações em terras agrícolas e recursos hídricos, o que a leva a investir em tecnologias que aumentem a produtividade, como melhoramento genético de sementes e máquinas avançadas. Apesar de não ser autossuficiente, a China tem mostrado capacidade de cumprir suas metas, segundo análises de especialistas.
O plano de segurança alimentar da China prevê aumentar a produção de grãos para 725 milhões de toneladas até 2030, além de elevar a contribuição da tecnologia na agricultura e reduzir a dependência de farelo de soja na ração animal.
Atualmente, a China já alcançou a autossuficiência em grãos básicos como arroz e trigo, mas ainda precisa melhorar na produção de carne bovina e ovina, além de leite, onde a autossuficiência é de apenas 62%.
O impacto dessa estratégia já é visível nas exportações brasileiras, especialmente de milho, que sofreram uma queda significativa devido a uma safra recorde na China. A China também impôs uma sobretaxa sobre as importações de carne brasileira, visando proteger sua indústria local.
Para o Brasil, diversificar os destinos de exportação e aumentar a presença no mercado chinês são estratégias essenciais. A demanda por produtos agrícolas deve crescer, especialmente em áreas como combustíveis sustentáveis, onde o Brasil pode explorar novas oportunidades.
Os investimentos chineses no Brasil, como a ampliação de terminais e a construção de infraestrutura, indicam que, apesar das mudanças nas exigências, o comércio agrícola entre os dois países continua robusto, com transações que já superam US$ 100 bilhões anuais.
A nova estratégia da China não deve levar a uma ruptura nas relações comerciais, mas sim a uma adaptação das empresas brasileiras para atender a um mercado em evolução.
