China desenvolve novo probiótico que combate diabetes de forma semelhante ao Ozempic e pode chegar aos EUA em até dois anos
Inovação na medicina: probiótico inteligente pode revolucionar o controle do diabetes.
A medicina moderna está passando por uma transformação significativa, impulsionada por inovações tecnológicas. Um exemplo notável é o desenvolvimento de um probiótico inteligente na China, projetado para auxiliar no controle do diabetes. Criado por pesquisadores de uma universidade em Xangai, esse sistema é capaz de atuar automaticamente em resposta a alterações nos níveis de açúcar no sangue.
Nomeado GIFT, o probiótico demonstrou resultados promissores em testes com animais, apresentando eficácia semelhante à do medicamento Ozempic. A equipe de pesquisa já deu entrada em um pedido de patente e planeja introduzir a tecnologia nos mercados dos Estados Unidos e da Europa, com a expectativa de disponibilizá-la como suplemento alimentar em aproximadamente dois anos, caso todas as fases de desenvolvimento sejam bem-sucedidas.
GIFT transforma uma bactéria em um sistema que detecta a glicose
O GIFT é um probiótico geneticamente modificado que possui a capacidade de detectar variações na glicose e liberar um hormônio que ajuda a controlá-la. Diferente dos métodos tradicionais, ele não requer horários ou dosagens fixas. A pesquisa envolveu a modificação genética de uma bactéria para que ela reconhecesse o aumento da glicose e respondesse liberando uma substância reguladora.
A cepa escolhida para essa modificação foi a Escherichia coli Nissle 1917, conhecida por sua segurança em humanos. Os cientistas incorporaram à bactéria um sistema que detecta a glicose e um gene que produz GLP-1, um hormônio fundamental na regulação dos níveis de açúcar no sangue.
O funcionamento do sistema é baseado em um sensor que utiliza a proteína HexR, derivada da Pseudomonas putida, para monitorar as alterações na concentração de glicose. Quando os níveis de glicose estão normais, o sistema permanece inativo. No entanto, ao detectar um aumento, a proteína ativa o gene que produz GLP-1.
Com essa abordagem, o objetivo é que o próprio organismo sinalize quando ativar ou desativar a produção do hormônio. Assim, ao ser ingerida, a bactéria poderia permanecer no intestino e reagir a variações nos níveis de glicose.
Testes com animais mostraram resultados próximos aos do Ozempic
Os testes realizados com o GIFT em camundongos e primatas não humanos revelaram resultados animadores. Em camundongos com diabetes tipo 2, uma única dose oral elevou os níveis de GLP-1 em poucas horas, resultando em uma significativa redução da glicemia. Após 30 dias de administração diária, os animais mostraram melhorias em diversos indicadores relacionados ao controle da glicose.
Nos primatas, uma única dose resultou em um aumento rápido dos níveis de GLP-1 e insulina, com a redução da glicose se mantendo por até três dias. Durante cinco semanas de acompanhamento, os níveis de açúcar no sangue permaneceram relativamente estáveis.
Os pesquisadores compararam o GIFT ao Ozempic, um medicamento amplamente utilizado no tratamento do diabetes e na regulação de peso. Os efeitos do probiótico na redução da glicose foram semelhantes aos observados com o medicamento. No entanto, é importante ressaltar que os resultados foram obtidos em animais, e o GIFT ainda precisa passar por rigorosos testes de segurança e eficácia antes de ser considerado uma alternativa viável para pacientes.
Probiótico ainda precisa superar etapas antes de chegar aos Estados Unidos
Apesar dos resultados promissores, o GIFT ainda não está pronto para o consumo humano. A equipe de pesquisa está focada em aprimorar a segurança e a produção do probiótico de acordo com os padrões farmacêuticos. A expectativa é que, se todas as etapas forem cumpridas com sucesso, o produto possa estar disponível nos Estados Unidos em um período de dois anos.
Além do controle da glicose, o projeto tem potencial para aplicações futuras. A modularidade do sistema permite que os componentes responsáveis pela detecção e pela resposta terapêutica sejam substituídos, possibilitando a criação de “medicamentos vivos” programáveis que possam responder a diferentes sinais biológicos no organismo.