China lidera o mercado de robôs humanoides enquanto EUA implementam restrições

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Feira da Indústria destaca a inovação com robôs humanoides em ascensão.

A fabricante chinesa Unitree Robotics anunciou a abertura das inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. Esta iniciativa marca um passo significativo, sendo a primeira do setor de robôs humanoides e quadrúpedes na China, com potencial de elevar seu valor de mercado a mais de 50 bilhões de yuans, equivalente a R$ 37,7 bilhões.

A empresa se destacou internacionalmente pela produção de robôs avançados a preços competitivos, consolidando a liderança da China no mercado global. A entrada de capital privado deve ampliar ainda mais sua visibilidade e potencial de crescimento.

Essa movimentação ocorre em um contexto de tensão, especialmente após os Estados Unidos anunciarem, no final de julho, a proibição da entrada de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. Essa decisão foi justificada por alegações de “riscos inaceitáveis” à segurança nacional.

Analistas interpretaram essa medida como um indicativo do receio dos EUA em relação à possibilidade de perder sua liderança tecnológica para a China. Em 2025, a China foi responsável por 85% do uso de robôs humanoides, segundo estimativas de instituições financeiras.

O argumento da Comissão Federal de Comunicações dos EUA é que os robôs “coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs”.

Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias com supostos vínculos com as Forças Armadas da China, uma vez que seus robôs foram utilizados em exercícios militares.

China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas

Com relação à segurança, autoridades americanas expressam preocupações sobre a coleta de dados por robôs humanoides e quadrúpedes chineses, que poderiam ser controlados remotamente e representar riscos a infraestruturas críticas. A possibilidade de uso duplo desses robôs, tanto para fins civis quanto militares, é um ponto central nas discussões.

Pesquisadores já demonstraram vulnerabilidades em robôs da Unitree, permitindo que invasores assumam o controle por meio de comandos de voz. Além disso, há receios de que a massificação de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados valiosos a sistemas de inteligência artificial que competem com os EUA.

Embora as preocupações sejam válidas, muitos especialistas consideram que a ameaça ainda é em grande parte teórica, uma vez que a maioria dos robôs humanoides comerciais ainda está em fase de desenvolvimento inicial.

A China refutou as alegações, argumentando que os EUA usam a segurança nacional como pretexto para implementar medidas protecionistas e restringir o avanço tecnológico chinês. Em resposta ao anúncio da Casa Branca, a China impôs controles sobre as exportações de drones para os EUA e proibiu negócios com seis entidades americanas.

No âmbito interno, o governo de Donald Trump tem se mostrado favorável ao fortalecimento da indústria de robótica americana, que é fundamental para o avanço da infraestrutura de inteligência artificial do país, avaliada em quase US$ 1 trilhão.

Analistas do setor afirmam que essa estratégia visa proteger empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics da concorrência de fabricantes chineses, que frequentemente oferecem robôs a preços significativamente mais baixos.

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