China realiza pouso histórico de foguete reutilizável em terra firme
China realiza pouso inédito de foguete em terra firme, marcando um avanço no setor espacial.
A China alcançou um marco significativo em lançamentos espaciais ao recuperar, pela primeira vez, o primeiro estágio de um foguete em terra firme após um voo orbital. Este feito foi realizado pelo foguete Zhuque-3, desenvolvido pela empresa privada LandSpace.
O lançamento ocorreu na quarta-feira, 19 de dezembro, pelo horário local da China. Após completar a etapa orbital da missão, o primeiro estágio do foguete retornou à Terra, realizando um pouso vertical controlado na área designada para recuperação, localizada em Minqin, na província de Gansu.
Esse sucesso representa um avanço crucial para o programa espacial comercial da China, posicionando a LandSpace entre as empresas que demonstraram a capacidade de recuperar estágios de foguetes orbitais em terra. A recuperação de partes do veículo é uma tecnologia que visa reduzir custos e aumentar a frequência dos lançamentos.
O Zhuque-3 possui 66,1 metros de comprimento e é composto por dois estágios, com um núcleo único. Sua estrutura é majoritariamente feita de aço inoxidável, e os motores são alimentados por metano líquido e oxigênio líquido. O primeiro estágio é equipado com nove motores Tianque-12A.
O estágio responsável pelo retorno conta com sistemas que controlam a trajetória durante a reentrada, incluindo aletas de estabilização e pernas de pouso, que permitem uma desaceleração e aterrissagem vertical após a separação do segundo estágio. A recuperação é uma das partes mais desafiadoras da missão, exigindo controle preciso durante a reentrada e queimas de motores para redução de velocidade até o toque no solo.
A LandSpace já havia realizado testes para desenvolver essa capacidade. Em janeiro de 2024, um veículo de testes equipado com um motor Tianque-12 atingiu cerca de 350 metros de altitude, realizando um pouso vertical a apenas 2,4 metros do ponto previsto, com uma velocidade de 0,75 metro por segundo. Em setembro do mesmo ano, outro teste levou a tecnologia a mais de dez quilômetros de altitude, incluindo o desligamento e reacendimento do motor durante o voo.
O pouso bem-sucedido desta semana também representa uma recuperação significativa para a LandSpace, após uma primeira tentativa malsucedida. O voo inaugural do Zhuque-3, realizado em dezembro de 2025, conseguiu colocar a carga em órbita, mas o primeiro estágio falhou na recuperação devido a uma anomalia durante a fase final do pouso.
A missão anterior forneceu dados cruciais para o desenvolvimento do sistema, permitindo à LandSpace avaliar o comportamento da estrutura e a proteção térmica durante a reentrada, além de melhorar os algoritmos de orientação. Apesar da falha, a missão contribuiu para identificar pontos a serem corrigidos antes de uma nova tentativa.
O feito do Zhuque-3 deve ser contextualizado, pois a China já havia recuperado o primeiro estágio de um foguete orbital anteriormente. Em julho de 2026, o país conseguiu recuperar um estágio do Long March-10B, mas essa recuperação foi realizada em uma embarcação no mar, ao contrário do pouso vertical em terra do Zhuque-3.
O Zhuque-3 representa, assim, uma nova etapa na tecnologia de recuperação de foguetes, sendo o primeiro da China a realizar uma recuperação orbital em terra. Essa abordagem é semelhante à utilizada pela SpaceX em seus foguetes Falcon 9, que também buscam recuperar o primeiro estágio para reutilização.
A China, agora, utiliza duas estratégias diferentes para a recuperação de estágios de foguetes orbitais: a captura no mar e o pouso vertical em terra. Essa tecnologia é considerada estratégica para o crescimento do setor espacial comercial chinês, permitindo lançamentos com menor custo e maior frequência.
A recuperação do primeiro estágio pode reduzir a necessidade de fabricação de novos componentes para cada missão, permitindo que a empresa inspecione e prepare o mesmo estágio para novos voos. O Zhuque-3 foi projetado para suportar até 18,3 toneladas para a órbita baixa da Terra quando o primeiro estágio é recuperado.
Embora o sucesso do pouso represente um avanço, a China ainda está em fase inicial de desenvolvimento em comparação com a SpaceX. O Zhuque-3 acaba de demonstrar a recuperação orbital em terra, eliminando uma barreira tecnológica importante para a operação de lançadores parcialmente reutilizáveis em escala comercial.
A expectativa é que essas tecnologias ampliem a capacidade da China de colocar satélites em órbita, especialmente em um momento em que