China reduz uso de carvão em uma década, mas revitaliza setor em apenas um ano

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A China enfrenta um aumento na geração de eletricidade a partir do carvão, desafiando suas metas de energia renovável.

Nos últimos anos, a China se destacou como líder em energias renováveis, mas agora enfrenta um aumento na geração de eletricidade a partir de carvão e gás. Entre janeiro e maio deste ano, a produção de energia a partir dessas fontes cresceu 3,4%, totalizando 2,53 trilhões de kWh. Essa reversão ocorre em um momento em que a geração de eletricidade a partir do carvão havia diminuído pela primeira vez em uma década.

O aumento no uso de carvão é atribuído a diversos fatores, incluindo a redução das chuvas nas barragens hidrelétricas do sudoeste do país devido ao fenômeno El Niño. Com a escassez de água, o carvão e o gás natural tornaram-se essenciais para compensar a falta de energia hidrelétrica. Além disso, tensões geopolíticas, como o bloqueio do Estreito de Ormuz, dificultaram o acesso ao gás natural liquefeito, levando a uma maior dependência do carvão.

A situação é preocupante, pois a China é a maior consumidora de eletricidade e a principal emissora de dióxido de carbono do mundo. O aumento no uso de carvão pode comprometer as metas globais de redução de emissões e a promessa da China de atingir o pico de emissões antes de 2030. O país e a Índia são responsáveis por mais de 90% do crescimento das emissões entre 2015 e 2024, o que agrava a situação climática global.

Em 2020, a China havia acelerado sua transição energética, superando suas metas de capacidade de energia eólica e solar. No entanto, a desaceleração na geração de energia renovável tem se mostrado mais lenta do que o esperado, o que abre espaço para o carvão preencher a lacuna na demanda. A participação do carvão na matriz energética caiu para 51,4%, mas as previsões para 2026 indicam que esse número pode aumentar novamente.

Além disso, a recente construção de usinas termelétricas a carvão e a operação de contratos de fornecimento garantidos têm colocado essas instalações em competição direta com as energias renováveis. Essa competição tem favorecido o carvão, que se torna uma opção mais viável em um cenário de demanda limitada por eletricidade.

Embora o ressurgimento do carvão em 2026 represente uma alternativa temporária, é importante considerar que fatores climáticos e geopolíticos são cíclicos e podem mudar. O aumento da energia limpa, caso não seja afetado por condições climáticas adversas, poderia reduzir a dependência do carvão. Contudo, a construção de novas usinas e a falta de medidas políticas firmes podem garantir que o carvão continue a ser uma fonte importante de energia no futuro próximo.

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