China supera gigantes ocidentais em tecnologia ao oferecer produtos acessíveis

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Concorrência acirrada e desafios de segurança marcam o setor de tecnologia global.

À medida que as tecnologias se tornam mais presentes no cotidiano, formuladores de políticas públicas avaliam seus benefícios diante de preocupações com segurança de dados e influência estrangeira.

A GoPro, que em 2015 era sinônimo de câmeras de ação e detinha mais de 70% do mercado, hoje enfrenta sérias dificuldades. A concorrência chinesa, em especial, tem sido apontada como a principal responsável por sua luta pela sobrevivência.

As empresas DJI e Insta360, que entraram no mercado de câmeras de ação em 2019 e 2021, respectivamente, dominam atualmente mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis. Muitos usuários, como Alexander Hannemann, trocam suas GoPro por modelos dessas marcas, destacando a superioridade da qualidade das imagens.

A GoPro conseguiu evitar a falência em setembro, após enfrentar uma crise provocada por apostas malsucedidas em novos produtos e pela crescente concorrência de smartphones, que também entraram no mercado de câmeras portáteis.

A crescente liderança tecnológica da China

O caso da GoPro reflete uma tendência mais ampla: desde 2010, marcas chinesas têm superado rivais ocidentais em diversos setores de tecnologia de consumo, de TVs inteligentes a aspiradores robóticos. O estigma de “Made in China” como sinônimo de produtos baratos está se dissipando.

“A China ainda fabrica produtos acessíveis, mas também é sinônimo de alta qualidade”, afirma um especialista no setor.

Essa mudança fez com que mais da metade dos novos produtos tecnológicos globais fossem originados de fornecedores chineses. Montadoras como BYD e Xpeng, por exemplo, venderam quase dois terços dos carros elétricos no último ano, superando até mesmo a Tesla.

No segmento de aspiradores robóticos, as marcas chinesas dominam o mercado global, enquanto a iRobot, antiga líder do setor, enfrenta dificuldades para competir. A intensa concorrência nas cidades chinesas, aliada a cadeias de suprimentos eficientes e uma cultura empresarial ágil, tem sido fundamental para esse sucesso.

Elementos como automação industrial e uso de inteligência artificial na manufatura resultam em custos de produção mais baixos e ciclos de inovação mais rápidos, conferindo uma vantagem competitiva significativa às empresas chinesas.

Joey Cheng, fundador de uma startup de tecnologia, ressalta a importância da cadeia de suprimentos de Shenzhen para a rápida colocação de produtos no mercado, essencial para a sobrevivência de startups em um ambiente tão competitivo.

Persistem preocupações com privacidade e segurança

Apesar do crescente sucesso das empresas chinesas, preocupações com privacidade e segurança de dados ainda persistem entre os consumidores. Uma pesquisa recente revelou que mais de 90% dos europeus não confiam seus dados a empresas chinesas de tecnologia.

Embora utilize produtos de marcas chinesas, muitos consumidores, como a blogueira Nadine, preferem evitar dispositivos conectados de fabricantes asiáticos, optando por alternativas que garantam maior conformidade com as regulamentações locais.

“Meu aspirador robô é de uma empresa alemã para garantir que os dados permaneçam em conformidade com as regulamentações”, explica ela, citando preocupações com invasões de privacidade.

As empresas chinesas precisam superar um “prêmio de confiança” ao expandir internacionalmente, sendo ainda mais competitivas em termos de produtos e preços. A presença física em mercados estrangeiros, como a nova fábrica da BYD na Hungria, pode ajudar a mitigar essa desconfiança.

Embora afirmem cumprir as normas de proteção de dados da União Europeia, a realidade é que leis de segurança nacional podem obrigar empresas a entregar dados ao governo, gerando desconfiança entre os consumidores.

Uma nova guerra comercial está a caminho?

Com o aumento das preocupações de segurança e o domínio chinês em vários setores, países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, impuseram tarifas e restrições a importações de empresas chinesas. Essas medidas têm afetado diretamente o mercado global de tecnologia.

Representantes de empresas chinesas reconhecem que a situação atual exige que busquem cooperação com empresas locais ou até mesmo estabeleçam fábricas em mercados estrangeiros para garantir competitividade.

“A manufatura precisa ser localizada para amenizar as dificuldades de exportação e gerar confiança local”, afirma um empresário do setor

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