Cibersegurança complexa leva a decisões equivocadas no conselho
A cibersegurança se torna prioridade nas estratégias empresariais.
A cibersegurança está se consolidando como um elemento crucial nas agendas estratégicas das empresas. Uma recente pesquisa destacou que 90% dos conselheiros acreditam que as medidas atuais de segurança cibernética não oferecem a proteção adequada, revelando uma discrepância entre os investimentos realizados e a confiança na capacidade de proteger os negócios.
O desafio não reside apenas nas tecnologias disponíveis, mas também na comunicação dos riscos de forma eficaz. A compreensão clara sobre a cibersegurança é fundamental para a tomada de decisões estratégicas.
O Conselho de Administração desempenha um papel vital ao definir a estratégia e alocar investimentos, além de gerenciar os riscos corporativos. Portanto, é essencial que os executivos tenham uma visão clara da eficácia das medidas de segurança implementadas.
Nos últimos anos, a área de segurança cibernética tem se comunicado por meio de jargões técnicos e discursos alarmistas, muitas vezes desconectados das preocupações dos executivos. O foco deve ser em como a empresa está preparada para lidar com riscos e como um incidente pode afetar a continuidade das operações e a reputação da organização.
O papel do diretor de Segurança da Informação deve evoluir, tornando-se um intermediário entre a linguagem técnica e a linguagem do negócio. Em vez de apresentar apenas dados sobre ataques bloqueados, é necessário demonstrar os impactos reais para a empresa, como o tempo de recuperação após um ataque e a exposição a riscos associados a fornecedores críticos.
Esses indicadores são cruciais para tornar as discussões sobre segurança mais objetivas, permitindo que o conselho entenda como cada decisão impacta a continuidade do negócio. Além disso, ajudam a equilibrar proteção, produtividade e inovação, evidenciando o impacto das medidas de segurança na rotina dos colaboradores e os riscos do uso de aplicações não autorizadas.
Esse processo deve resultar em acordos claros entre as áreas de segurança, tecnologia da informação e as lideranças das unidades de negócio. É vital definir o nível de proteção desejado, os custos associados e os riscos que a organização está disposta a aceitar, integrando assim as decisões sobre investimentos à estratégia corporativa.
Mais do que simplesmente aumentar os investimentos, o verdadeiro desafio da cibersegurança é desenvolver uma linguagem que permita aos conselhos compreenderem as consequências de suas decisões. Quando a discussão se concentra em continuidade operacional, risco financeiro e resiliência, a segurança cibernética é vista não apenas como um custo, mas como um elemento essencial para a perenidade e competitividade dos negócios.
