Cibersegurança é preocupação para 52% dos CIOs, mas investimentos podem não acompanhar os riscos

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Preocupações com cibersegurança não refletem em investimentos significativos, segundo pesquisa.

Uma pesquisa recente revelou que 52% dos CIOs brasileiros consideram um grande incidente de cibersegurança como uma das suas principais preocupações. No entanto, esse receio não se traduz em um aumento substancial nos investimentos para proteção digital. Entre os executivos que reconhecem esse risco, 63% planejam manter ou aumentar apenas modestamente os recursos destinados à segurança digital em 2027.

Os dados foram apresentados durante um evento no Distrito Itaqui, em Itapevi (SP), onde foram coletadas respostas de 88 CIOs. O estudo revela uma discrepância entre as preocupações das lideranças e suas decisões de investimento, destacando um cenário complexo no qual o medo de ataques não necessariamente resulta em ações financeiras concretas.

A analista responsável pela apresentação destacou que a diferença entre a percepção de risco e o planejamento financeiro pode ser atribuída a diversas razões. Empresas que já possuem estruturas de segurança robustas podem não sentir a necessidade de aumentar significativamente seus orçamentos, enquanto aquelas com controles inadequados podem estar mais vulneráveis se não ajustarem seus investimentos.

“Ou essa área já está bem estabelecida e financiada nas empresas, ou o risco vai aumentar”, afirmou a analista, enfatizando a necessidade de uma avaliação cuidadosa das estratégias de segurança.

Desafios da inteligência artificial na segurança corporativa

Durante a apresentação, também foi discutido o impacto da inteligência artificial (IA) na proteção dos ambientes de trabalho. Ao contrário de ferramentas que apenas transmitem informações, agentes de IA podem ser autorizados a acessar bases de dados, acionar aplicações e realizar atividades autonomamente. Isso exige uma análise detalhada dos riscos associados às credenciais utilizadas e às integrações entre sistemas.

“Cada agente é uma possível superfície de ataque, e isso vai se agravar com a existência da IA”, alertou a analista, ressaltando a necessidade de controles rigorosos para identidades não humanas e gestão de permissões.

Além disso, é fundamental que as empresas monitorem as atividades automatizadas e considerem os impactos de falhas em sistemas que estão conectados a processos críticos, garantindo assim uma abordagem proativa em relação à segurança.

Perspectivas de investimento em segurança para 2027

O levantamento também revelou uma diferença entre a preocupação com ataques cibernéticos e a priorização da cibersegurança nas estratégias tecnológicas. Apenas 24% dos CIOs planejam acelerar os investimentos em segurança para 2027, enquanto 11% mencionaram a cibersegurança entre os projetos a serem priorizados no próximo ano.

Na média do orçamento de TI para 2027, cibersegurança e compliance representam 14,9% dos recursos alocados. Essa categoria abrange despesas relacionadas à proteção dos ambientes tecnológicos e ao cumprimento de exigências regulatórias.

Embora esse percentual forneça uma visão geral, não é suficiente para determinar se os recursos são adequados. A avaliação da suficiência dos investimentos depende de fatores como o tamanho das organizações, sua vulnerabilidade a ameaças, os controles já implementados e os investimentos anteriores.

Para os CIOs, a pesquisa levanta uma questão crucial para o planejamento de 2027: se a possibilidade de incidentes continua a ser uma das maiores preocupações, será que os recursos destinados à segurança serão suficientes para acompanhar a evolução dos riscos?

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