Ciclo de palestras promove diálogo entre adolescentes e jovens gaúchos para combater a violência contra mulheres
Debates sobre prevenção à violência contra mulheres mobilizam jovens em ciclo de palestras no RS.
Em um Estado que já registrou 42 feminicídios desde o início do ano, refletindo um aumento de 16% em relação ao mesmo período de 2025, a ampliação dos debates sobre a prevenção da violência contra as mulheres se torna essencial. Autoridades e especialistas buscam estratégias para combater a escalada desse crime, e um ciclo de palestras está sendo promovido em 30 municípios gaúchos.
A mais recente edição deste ciclo ocorreu no dia 1º de julho, reunindo 50 jovens aprendizes do programa estadual “Partiu Futuro – Reconstrução” em Porto Alegre e Região Metropolitana. O encontro teve lugar no Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) e contou com a participação da extensionista Lara Werner, do programa “Clínica Feminista Antirracista Interseccional” da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Os jovens discutiram questões fundamentais relacionadas aos direitos femininos, identificação e enfrentamento das diversas formas de violência de gênero, com o objetivo de romper a naturalização de comportamentos abusivos. A proposta é estimular a atuação dos adolescentes e jovens como agentes de transformação em suas comunidades, respeitando suas particularidades.
A palestrante destacou a importância de compartilhar experiências, afirmando que muitos participantes têm histórias pessoais relacionadas à violência. “Estamos vivendo uma realidade grave de crimes contra as mulheres, e precisamos sensibilizar esses jovens para construir uma sociedade baseada no respeito e na igualdade”, afirmou.
Conforme a palestrante, levar esse debate à adolescência e juventude é crucial para aumentar a conscientização sobre o impacto da violência na sociedade. “É vital falar sobre equidade de gênero, a importância das mulheres e como reconhecer sinais de relações abusivas”, enfatizou.
Ela também sublinhou que a informação é uma ferramenta poderosa para criar redes de proteção. “Ambientes seguros são construídos por meio do diálogo. Os jovens devem saber que existem espaços seguros e adultos responsáveis para ajudá-los, tornando-se assim agentes importantes no reconhecimento e encaminhamento de situações de violência”, acrescentou.
O ciclo de debates, denominado “Diálogos que Protegem – Vozes pela Vida: Juventude, Respeito e Cultura da Paz”, é promovido pela Rede Nacional de Aprendizagem (Renapsi), uma organização sem fins lucrativos dedicada à inclusão social e profissional de adolescentes e jovens. A iniciativa atua como uma ponte entre este grupo e empresas, oferecendo oportunidades de emprego através do programa “Jovem Aprendiz”.
A voz da juventude
Kauê Viana de Souza, de 18 anos e residente em Viamão, afirmou que discutir o tema é fundamental para fortalecer a solidariedade. “Precisamos ter empatia, pois se eu tenho uma história triste, não quero que ninguém passe pela mesma situação. Devemos estar prontos para ajudar quem precisa”, declarou.
Lavínia Fagundes Rodrigues, de 21 anos, também de Viamão, ressaltou a importância do diálogo para vencer o medo e incentivar a busca por ajuda. “É essencial debater a violência doméstica e mostrar que as vítimas não devem ter receio de denunciar, pois receberão proteção das autoridades. Podemos ajudar, conversando com as pessoas, sejam próximas ou não”, afirmou.
O programa “Partiu Futuro – Reconstrução”
Atualmente, 2.785 jovens de 75 municípios gaúchos estão envolvidos na segunda edição do programa “Partiu Futuro – Reconstrução”, desenvolvido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (Sedes). Desses, 1.840 são atendidos em 31 municípios pela Demà Aprendiz, tecnologia social da Renapsi.
A iniciativa é voltada para jovens entre 14 e 22 anos, que são egressos ou estão matriculados na rede pública de ensino e inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), especialmente aqueles afetados pelas enchentes de maio de 2024 ou que residem em municípios vinculados ao programa “RS Seguro”. O contrato tem duração de um ano e prevê uma carga horária total de 1.040 horas.
Os participantes recebem uma bolsa-auxílio de R$ 894 para uma jornada de 20 horas semanais, além de vale-alimentação de R$ 550 e, quando necessário, vale-transporte. Todos têm carteira assinada e acesso aos direitos garantidos por lei, como FGTS, INSS, férias e
