Cidadãos americanos buscam conter a expansão descontrolada de data centers

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Protestos contra data centers ganham destaque nos EUA

Nos Estados Unidos, moradores têm se mobilizado em protesto contra a construção de data centers, especialmente em áreas rurais como o condado de Frederick, em Maryland.

O início das obras de um grande data center da Amazon não preocupou a ativista local Elizabeth Bauer inicialmente. Contudo, a expansão do projeto, que invadiu áreas verdes e terras agrícolas, gerou descontentamento na comunidade.

Junto com outros residentes, Bauer começou a protestar contra a construção, alegando que a proximidade do canteiro de obras está provocando poeira e poluição, agravando problemas de saúde, como a asma, na população local.

“Não tenho nada contra os data centers, desde que estejam no local certo. O que não aceito é que eles ocupem terras agrícolas de primeira qualidade”, disse Bauer.

A resistência contra os data centers tem se intensificado em todo o país, com manifestações exigindo ações de políticos de ambos os partidos. A região que inclui Maryland, Virginia e o Distrito de Columbia é um ponto central desse movimento, onde aproximadamente 640 data centers estão registrados apenas na Virginia.

Esses conflitos não se restringem à fase de construção, mas também envolvem preocupações sobre os impactos a longo prazo. Os data centers consomem grandes quantidades de energia, equivalente ao consumo de eletricidade de 100 mil residências, e a demanda por novos centros pode aumentar esse consumo drasticamente, especialmente com a crescente necessidade de recursos para inteligência artificial.

Atualmente, os data centers representam 4,4% do consumo de energia dos EUA, e projeções indicam que esse número pode subir para 8,5% até 2027.

Impactos ambientais e escassez de recursos

A situação em Frederick reflete um problema mais amplo nos EUA, que abriga 4,6 mil data centers, mais do que qualquer outro país. Quase 40% da população americana vive a cinco milhas de uma dessas instalações, e mais de 1,5 mil novos centros estão em construção.

Essa expansão ocorre em um contexto de crescente descontentamento. Uma pesquisa recente revelou que 71% da população se opõe à instalação de data centers em suas comunidades. Além disso, esses centros podem consumir até 5 milhões de galões de água por dia, o que é preocupante em regiões já afetadas por escassez hídrica, como o condado de Frederick.

A professora de bioestatística da Escola de Saúde Pública de Harvard, Francesca Dominici, aponta que as empresas de tecnologia frequentemente ignoram a questão da escassez hídrica, priorizando locais com terrenos mais baratos e aprovações rápidas.

Preocupações com poluição e custos energéticos

Nos estados com alta concentração de data centers, os preços da eletricidade aumentaram 267% nos últimos cinco anos. As concessionárias estão investindo em novas linhas de transmissão para atender a essas instalações, mas os custos são repassados aos consumidores.

Além disso, há o risco de que os data centers sobrecarreguem a rede elétrica, gerando a necessidade de geradores a diesel, que trazem riscos à saúde. A exposição a partículas finas pode causar problemas respiratórios e cardiovasculares, além de afetar a fauna local.

Regulamentação e transparência

A localização dos data centers é geralmente supervisionada em nível municipal, e muitos estados oferecem um ambiente regulatório que permite um desenvolvimento rápido, sem considerar o impacto nas comunidades. Muitas administrações locais não definem regras sobre o uso do solo, permitindo que as empresas atuem sem restrições.

“Muitas administrações locais optaram por não definir regras sobre o uso do solo; nesse caso, uma empresa desenvolvedora de data centers pode, basicamente, fazer o que bem entender”, acrescenta a professora da Universidade da Pensilvânia.

Em nível federal, a administração anterior facilitou a criação de data centers por meio de um decreto que buscava eliminar barreiras para a liderança americana em inteligência artificial. Empresas de tecnologia têm pressionado por acordos de confidencialidade, limitando a transparência e dificultando que as comunidades compreendam os projetos e seus impactos.</

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