Cientistas descobrem nova espécie de tubarão na Austrália capaz de se locomover em terra firme
Nova espécie de tubarão capaz de “andar” preocupa cientistas por sua limitada distribuição.
Uma equipe internacional de pesquisadores fez uma descoberta surpreendente ao identificar uma nova espécie de tubarão que possui a habilidade de se locomover sobre o fundo do mar e até em áreas secas durante a maré baixa. Este tubarão, chamado Hemiscyllium dudgeonae, é encontrado em uma região restrita da Baía de Milne, em Papua-Nova Guiné, o que levanta preocupações sobre sua conservação.
A descoberta ocorreu durante uma expedição científica que visava estudar outra espécie de tubarão-andador. Durante uma saída noturna, a pesquisadora Christine Dudgeon encontrou um tubarão que não correspondia ao esperado. Após cuidadosa captura para medições e coleta de amostras, outros indivíduos semelhantes foram encontrados nos dias seguintes.
A pesquisadora Jessica-Anne Blakeway, que liderou o estudo, destacou que a diferença era evidente desde o primeiro contato. “O padrão de cores era completamente diferente das espécies que conhecíamos. Em vez das manchas semelhantes às de um leopardo, esse animal apresentava traços e pontos brancos distribuídos ao longo do corpo”, explicou.
A confirmação de que se tratava de uma nova espécie veio após análises genéticas realizadas na Austrália, que mostraram que o tubarão representava uma espécie inédita para a ciência. Esta é a primeira nova espécie descrita no gênero Hemiscyllium desde 2013, totalizando dez espécies conhecidas desse grupo de tubarões.
Como um tubarão consegue “andar”?
Os tubarões-andantes, como o recém-descoberto, utilizam suas nadadeiras peitorais e pélvicas de maneira semelhante a pernas, permitindo-se mover pelo fundo dos recifes de coral e atravessar áreas rasas durante a maré baixa. Esse comportamento é crucial para a busca de pequenos invertebrados que se escondem entre rochas, corais e algas.
Esses tubarões são pequenos, geralmente medindo menos de um metro, e não oferecem perigo aos seres humanos. Os moradores locais já conhecem a espécie há tempos, chamando-a de kadedekedewa, que pode ser traduzido como “tubarão-cão” ou “tubarão preguiçoso”, uma referência à sua forma lenta de se deslocar.
Descoberta também muda o que se sabia sobre esses animais
Além da nova descrição, os pesquisadores revisaram a distribuição geográfica dos tubarões-andadores em Papua-Nova Guiné. Anteriormente, acreditava-se que barreiras naturais, como rios e áreas profundas, isolavam cada espécie. Contudo, o novo levantamento indicou que algumas distribuições podem se sobrepor, embora diferentes espécies não sejam encontradas no mesmo local simultaneamente.
Essa nova compreensão é fundamental para entender a evolução desses tubarões ao longo de milhões de anos, em uma região marcada por mudanças no nível do mar e pela complexa geologia entre a Austrália e a Nova Guiné.
Espécie já preocupa conservacionistas
Embora a descoberta seja empolgante, ela também traz um alerta. O Hemiscyllium dudgeonae parece estar restrito a uma pequena área da Baía de Milne, tornando-o um dos tubarões mais vulneráveis do mundo.
Os pesquisadores destacam que a degradação dos recifes de coral, o desenvolvimento costeiro, a expansão de plantações de palma, a pesca e as mudanças climáticas representam ameaças significativas à sobrevivência da espécie. Novas expedições de campo são esperadas para coletar dados que permitam à União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) avaliar oficialmente o risco de extinção da espécie. Atualmente, cinco das dez espécies conhecidas de tubarões-andantes já estão na Lista Vermelha da IUCN devido à sua distribuição geográfica extremamente restrita, característica que também parece afetar a mais nova integrante desse grupo.
