Cientistas descobrem que a maior parte dos nutrientes nos alimentos ainda é desconhecida e pode estar relacionada a doenças
A ciência da nutrição revela novos mistérios sobre os alimentos e sua composição.
A maior parte dos componentes presentes nos alimentos ainda é um enigma para a ciência. Embora os rótulos nutricionais destaquem elementos como proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, pesquisadores acreditam que esses nutrientes representam apenas uma fração das substâncias que compõem os alimentos. Um novo estudo sugere que milhares de compostos desconhecidos, apelidados de “matéria escura nutricional”, podem ter um papel crucial na saúde, no envelhecimento e no desenvolvimento de doenças.
Os cientistas afirmam que desvendar esse universo químico oculto pode revolucionar nossa compreensão sobre a alimentação e possibilitar a criação de dietas mais personalizadas e eficazes.
Não são só calorias e vitaminas
Historicamente, a ciência da nutrição focou em aproximadamente 150 substâncias conhecidas, incluindo proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais.
No entanto, estimativas sugerem que a alimentação humana contém mais de 26 mil compostos químicos diferentes, muitos dos quais ainda são pouco explorados ou completamente desconhecidos.
Para ilustrar essa realidade, os pesquisadores fazem uma analogia com a matéria escura do universo. Assim como os astrônomos reconhecem sua existência por seus efeitos, mas não conseguem observá-la diretamente, a ciência acredita que milhares de moléculas nos alimentos influenciam nosso organismo, mesmo que seus impactos permaneçam um mistério.
A chamada “matéria escura nutricional”
O termo “matéria escura nutricional” é utilizado por especialistas para descrever essas substâncias ainda não catalogadas.
A hipótese é que algumas delas possam atuar na proteção contra doenças, enquanto outras podem estar ligadas a problemas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e até certos tipos de câncer.
Esse entendimento pode esclarecer uma questão antiga na medicina: por que uma dieta específica pode ser eficaz para algumas pessoas, mas gerar resultados distintos em outras.
O intestino também faz parte da equação
Outro aspecto relevante é que os alimentos continuam a sofrer transformações após serem ingeridos.
As bactérias que habitam o intestino convertem diversos compostos em novas moléculas que podem afetar processos como inflamação, metabolismo, imunidade e a função celular.
Um exemplo destacado pelos pesquisadores é o TMAO, uma substância produzida pelas bactérias intestinais durante a digestão de carne vermelha e ovos. Altos níveis de TMAO estão associados a um maior risco de doenças cardiovasculares, mas alimentos como o alho possuem compostos que podem reduzir sua formação.
Outro exemplo é o ácido elágico, encontrado em frutas e nozes, que é transformado pela microbiota intestinal em urolitinas, moléculas ligadas à manutenção das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia nas células.
Para explorar esse universo invisível, cientistas estão envolvidos em iniciativas que catalogam moléculas presentes nos alimentos e suas interações com proteínas humanas, bactérias intestinais e doenças, promovendo um avanço significativo na compreensão da nutrição.
