Cientistas desenvolvem método para identificar espécies invisíveis sem a necessidade de DNA
Pesquisadores desenvolvem técnica inovadora para identificar pequenos mamíferos e monitorar a biodiversidade.
Enquanto a conservação de grandes animais como leões e pandas atrai a atenção mundial, uma crise silenciosa afeta os pequenos mamíferos, que são essenciais para a saúde dos ecossistemas. Em 29 de janeiro de 2026, uma nova técnica foi apresentada, permitindo a identificação de espécies crípticas com até 96% de precisão através da análise de pegadas.
Essa abordagem representa uma alternativa ética, econômica e rápida em relação aos testes de DNA, que costumam ser demorados e invasivos. Ao converter rastros deixados na areia em dados digitais, os cientistas podem monitorar a biodiversidade antes que ecossistemas inteiros se desintegrem sem que ninguém perceba.
O desafio das espécies crípticas
Pequenos mamíferos desempenham papéis ecológicos cruciais, embora muitas vezes sejam visualmente indistinguíveis. O estudo focou em duas espécies de sengi, conhecidas como musaranhos-elefante, na África do Sul: o sengi-das-rochas-oriental e o sengi-do-mato.
Embora sejam quase impossíveis de distinguir a olho nu, uma espécie habita terrenos rochosos, enquanto a outra prefere solos arenosos, reagindo de maneiras diferentes a ameaças ambientais.
Apesar da semelhança física, as características das patas são distintas. Utilizando software de alta resolução e inteligência artificial, os pesquisadores identificaram nove traços únicos nas pegadas frontais que permitem a identificação precisa dos animais.
Os animais foram atraídos com iscas de manteiga de amendoim e aveia, e suas pegadas foram registradas em papel especial com pó de carvão antes de serem soltos ilesos em poucos segundos.
Um novo termômetro para o planeta
A Dra. Zoë Jewell, da Universidade Duke, enfatiza que o objetivo é desenvolver uma métrica confiável para avaliar a integridade dos ecossistemas em qualquer parte do mundo. Esses pequenos mamíferos respondem rapidamente a mudanças climáticas e degradação do solo, tornando seu monitoramento essencial para entender a saúde do planeta.
A técnica já revelou descobertas surpreendentes, como a presença de espécies fora de suas áreas conhecidas de distribuição, indicando que muitos animais estão mudando de habitat em resposta às atuais pressões ambientais.
Agora, a equipe planeja expandir essa abordagem para incluir outros pequenos mamíferos, com a intenção de criar uma rede global de monitoramento não invasivo.
