Cientistas revelam que a radiação dos javalis de Chernobyl não é causada pelo acidente nuclear

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Estudo revela mistério da alta radioatividade em javalis de Chernobyl.

Os javalis que habitam a região de Chernobyl se destacam por apresentarem níveis de radioatividade superiores a outras espécies locais. Este fenômeno intrigou cientistas por anos, levantando questões sobre as causas dessa contaminação.

Recentemente, uma equipe de pesquisadores desvendou parte desse mistério, apontando que a resposta não está diretamente ligada ao acidente nuclear de 1986, mas a eventos que ocorreram muito antes. A chave para entender essa situação reside no isótopo césio-137, um dos mais contaminantes, que possui um período de meia-vida de aproximadamente 30 anos.

De acordo com a teoria, a concentração de césio na cadeia alimentar deveria diminuir com o tempo, já que os átomos desse isótopo tendem a se infiltrar no solo ou a ser levados pela água. Essa expectativa se confirmou em espécies como cervos e corças, cujos níveis de radiação diminuíram significativamente na área. No entanto, os javalis apresentaram uma queda muito menor, levando ao que é conhecido como o “paradoxo do javali selvagem”.

Impacto do césio-135 e alimentação dos javalis

A pesquisa identificou que o césio-135, um isótopo com um período de meia-vida muito mais longo, é o principal responsável pela persistência dos altos níveis de radiação nos javalis. Esse isótopo é mais difícil de detectar e, ao contrário do césio-137, sua origem está ligada em grande parte aos testes nucleares realizados durante a Guerra Fria.

Além disso, a dieta dos javalis contribui para essa contaminação. Esses animais consomem trufas do gênero Elaphomyces, que crescem a profundidades entre 20 e 40 centímetros no solo. Com o tempo, a radioatividade do césio foi se infiltrando no solo, contaminando esses fungos que se tornaram uma importante fonte de alimento para os javalis.

Resultados e implicações do estudo na Baviera

A análise realizada em uma população de 48 javalis na Baviera, sul da Alemanha, revelou que a situação de radioatividade nos javalis deve permanecer inalterada no curto prazo. Isso indica que os níveis de radiação desses animais não devem se igualar aos de cervos ou corças nos próximos anos.

Essa elevada radioatividade torna os javalis menos atraentes para caçadores, o que pode resultar em um aumento nas populações desses animais. Com o tempo, a expansão dos javalis pela Europa Central poderá levar a uma diminuição gradual dos níveis de radiação, mas esse processo pode levar décadas para se concretizar.

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